Vida nova


Estou começando hoje uma nova fase na vida de colunista. Convidado pelo meu amigo Antonio Fraga, estréio essa semana uma coluna no site Sport Motor pra falar de tudo que se mova em duas ou quatro rodas, seja nas pistas ou nas ruas.

Eu deveria ter começado a escrever no mês passado, em março, mas não tenho lembranças muito agradáveis dessa duodécima parte do ano, que na verdade nasceu MARTIUS, numa homenagem do romano Júlio César a MARTE, o deus romano da guerra, e resolvi deixar passar. Vou inaugurar a coluna em abril, um mês mais propício pelo próprio significado da palavra segundo o dicionário Aurélio: Seu nome deriva de aperire, palavra latina que significa abrir.

Minha birra com o mês marciano talvez se dê ao fato de marcar o fim da estação que mais gosto no ano, o verão, e por ser também um mês de muitas águas, que já foram inclusive cantadas por Elis Regina nos versos e notas do Tom Jobim, ambos inesquecíveis.

Mas pra mim, nem tudo em março é terrível ao ponto de querer eliminá-lo da folhinha, ele é também o mês que curiosamente marca o inicio e o fim de duas atividades que gosto muito: o cinema e as corridas.

É sempre em março que a indústria cinematográfica faz sua grande festa e encerra o ano para as realizações dos desejosos de fama e fortuna.

No automobilismo, é o inicio da escalada anual em busca da grana e da visibilidade. Notaram como existem coisas em comum entre a sétima arte e a arte de pilotar?

Na entrega do Oscar os valentes, os ousados e os amigos do rei são sempre premiados. Também é assim no automobilismo, gênios e farsantes dividem a mesma tela, e os amigos do rei enchem os bolsos com muita grana, quantidade suficiente para produzir todos os filmes indicados a melhores do ano.

Para ilustrar melhor a minha teoria de que essas duas artes se confundem, os títulos do filmes desse ano ilustram perfeitamente o que acontece na Fórmula 1 em 2010. É a ação e a ficção.

Foram disputadas três etapas e os personagens já estão devidamente identificados nas cores dos carros, nos terríveis macacões e nas declarações de “mui amigo enquanto minha batata não assa”.

O autentico CRAZY HEART, Michael Schumacher sente nas costas o peso da idade e da cobrança da Mercedes que o tirou da aposentadoria. Ele pra mim sempre será favorito e não sabe fazer jogo de equipe, mas parece que esse ano ele vai mudar de vida e de objetivos, pois o coadjuvante e compatriota Niko Rosberg já esta chegando, e pra ficar.

A McLaren vive seus momentos de UM HOMEM SÉRIO. O garoto prodígio amado e adorado na corte britânica, Lewis Hamilton é trocado pelo atual campeão do mundo, o quase esquecido Jenson Button. Ele, Lewis, tenta provar que ainda é a estrela maior. Seu desempenho confunde momentos de genialidade com total despreparo emocional, mas que aos trancos e barrancos devem reverter em breve numa melhor posição no campeonato. O lost boy e filho de roqueiro, já deu nele um banho de tática e ganhou a corrida australiana.

Nas asas da Red Bull, a dupla “vê e doble vê” Sebastian Vettel e Mark Webber ainda procura explicação para o que acontece com a equipe mais eficiente desse começo de campeonato. Leões nos treinos e guepardos nas corridas, os carros azuis amargam a terceira colocação no campeonato. Mas a esperança de algo como aconteceu com a GUERRA AO TERROR, que com um orçamento menor, mas com grandes pretensões, possam ganhar os campeonatos de piloto e equipe, algo como melhor filme e diretor.

A ex-poderosa Renault esta mais para um AMOR SEM ESCALAS. Tendo diminuída a responsabilidade de serem os melhores do mundo, os gauleses colocam nos ombros do polonês voador Robert Kubica a “responsabilidade” de fincar os pés no chão e levar a equipe de volta a elite dos favoritos ao premio máximo desse ano. É muita pretensão, mas quem sabe não dá certo?

Já o AVATAR de Maranello, não deixa por menos: o carro a ser batido, a dupla mais forte, o maior orçamento do ano, os engenheiros mais bem pagos, o presidente mais presente, as umbrela girl´s mais lindas do paddock e a dobradinha na primeira corrida, deixaram os concorrentes tremendo. Todos achavam que seria uma grande barbada e que depois da terceira corrida os dois pilotos estariam algo assim como 50 pontos na frente dos outros. Mas the rabbit hole goes (ou o buraco é mais embaixo, via Google translator!) para todo mundo. Tem muita gente bufando no cangote do Massa e do Alonso, que por sinal já começou a reclamar. E todos nós conhecemos a Ferrari, o que importa é a escuderia, os pilotos é um caso a parte.

Eu não poderia deixar de falar nos BASTARDOS INGLÓRIOS Rubinho, Lucas e Bruno. Como a obra do Tarantino, eles são competentes, importantes, dão o melhor que cada um consegue, mas as equipes deixam a desejar. Rubinho já disse que o carro é uma porcaria, o sonho de pilotar uma Williams parece repetir uma passagem dele mesmo: lutar contra um alemão. Dessa vez é um tal de incrível HULKemberg. Lucas di Grassi também tem um alemão pela frente, o Timo Glock, e um carro muito ruim que cabe como uma luva no nome da equipe: eles são realmente VIRGIN em matéria de corridas. O Bruno Senna nem se fala. Conseguiu alinhar quase na hora de apagarem as luzes numa quase carroça e ainda tem como companheiro de equipe um parente próximo do doutor Spock, o Karun Chandhok. Ninguém merece né?

Vou ficando por aqui, eu volto em breve pra falar de turismo.

Beijos e queijos.

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Eduardo Abbas, popular Borracha, é jornalista e um apaixonado por automobilismo; foi responsável pela criação e direção do programa Linha de Chegada e do Grid Motor; responsável pela editoria de Motorsport do canal Sport TV; produtor desde 1990, na TV Globo , da Fórmula Um e da Stock Car. Hoje é consultor de diversas emissoras de televisão.


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