Coluna “De carro por aí” – Roberto Nasser

Nasser
Coluna 3913  25.Setembro.2013

O bem que a Toyota faz à Argentina

Com orgulho o governo argentino anunciou investimentos e planos não divulgados pela Toyota no Brasil. No parceiro do Mercosul a japonesa investirá 800M de dólares para receber a nova geração IMV de seus picapes Hi Lux e o utilitário esportivo SW4.

Festa argentina não é pelo aporte, mas por sua missão. A Toyota de lá quer fazer 140 mil destes veículos após as obras em sua fábrica em Zárate, beirada de Buenos Aires. O volume é assemelhado à capacidade da marca em suas duas plantas brasileiras, onde faz Corolla e Etios, mas a diferença de propósitos é enorme. Num comparativo simploriamente numérico, o Brasil neste ano fará 143 mil veículos e exportará em torno de 26.500 – menos de 20% do total. No projeto argentino a relação é diferente. Das 140 mil unidades a ser produzidas, as exportações são projetadas em 110 mil, grosso modo 70%, destinando-se a suprir toda a América Latina, a começar pelo Brasil, cliente maior.

Ao tornar sua empresa base de abastecimento continental, a Toyota dá empregos diretos e indiretos. Seu projeto na Argentina é muito mais interessante para o país, relativamente á atuação da empresa no Brasil, mercado cinco vezes maior que o do vizinho. Projeta o governo de dona Cristina Kirchner, surfando na boa notícia em difícil época eleitoral, as exportações da Toyota em 2015 representarão 1,2B de dólares.

Registro de crescimento, em 2005 a Toyota fazia circa 15.000 unidades anuais, crescendo quase 1.000% num período aproximado de 10 anos.

Cross, o próximo Etios

Tentando correr atrás do Hyundai HB20, sua referência de mercado, lançado em data próxima, mas de quem tomou surra desanimadora por má recepção, a Toyota insiste no Étios. Não pode desistir, não tem tempo hábil para mudanças externas. Ao lançamento, enquanto o HB20 escriturava filas, seu Etios sobrava na fábrica e nos revendedores, provocando crescentes descontos para desovar os imprevistos estoques, e um re lançamento disfarçado, corrigindo as críticas da imprensa e reclamações dos compradores. Além destas alterações a Toyota criou novidade para aproveitar o 13º salário, as festas de final de ano e as férias, quando a razão é usualmente embaçada pela emoção, e pretende aumentar vendas com a versão Cross.

Nada novo ou criativo, segue o receituário criado pela Fiat, inventora do sub segmento, seguido com amplidão, mesclando a fórmula aviada pela dita coreana em sua versão S do HB20, e busca socorro no VW CrossFox, situando o carro no topo da tabela, e aplicando pintura sólida, mais barata que a metálica oferecida pelo HB20.

Fórmula conhecida, pouco criativa, uma polegada a mais em distância livre ao solo, apliques de plástico nas laterais, revestimento no para choques frontal para sugerir ser peça resistente, arcos no teto, adesivos, spoiler, rodas aro 15”, em liga leve. Função prática, nenhuma e tão desconhecido quanto improvável ganho em performance para o sugerido pelo nome.

Furo pelo sítio Autoblog.ar, autor das fotos.

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Etios  Cross. Mira o HB 20, mas na decoração copia o VW CrossFox

Roda-a-Roda

Finíssimo – Mercedes-Benz fechou o leque da Classe E – seu sedã médio – vendendo o E 63 AMG 4MATIC. Sopa de letras indica modelo, cilindrada do maior motor anteriormente oferecido, agora V8 e 5.500 cm3. AMG é ramo Mercedes de versões especiais.

4Matic – De tração total, 1/3, 2/3. Fórmula correta, valente com injeção direta, um turbo em cada lado do V. Faz 557 cv de potência, torque camional, circa 70 quilos, câmbio automático 7v, de 0 a 100 km/h em 3,7s. Corta a 250 km/h.

Técnica – Para te-lo com segurança, monumental pacote de desenvolvimento mecânico e segurança eletrônica. Turbos soldados ao coletor de admissão, compactando o motor. A pleno giram a 185 mil rpm e sopram 1.750 kg de ar/h.

Acerto – Carro, motor, transmissão, suspensão reguláveis por botão, a gosto do condutor – economia, performance, conforto… Aro 19”, talas 9 e 9,5” na traseira. US$ 246 mil.

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Classe E, 557 cv, tração na 4, 0 a 100 km/h em 3,7s. Sedã esportivo

É ele – Materializou-se o protótipo do mini Jeep, sobre a plataforma longa de Fiat 500.Tratam;no informalmente Jeepster – carro alegre sobre plataforma de Rural, quase produzido no Brasil. Mini utilitário esportivo da Fiat poderá ser pernambucano.

Enzima – Anúncio da Audi do fazer sedã A3 e utilitário esportivo Q3; obras e contratação de pessoal pela BMW; acicatam Mercedes a fechar contas para nova fábrica a sedã CLA e suv GLA. Duas regiões disputam: Campinas, SP – não é a antiga fábrica de ônibus Mercedes -, e Joinville, SC. Definição em dias.

Adeus – Série Last Edition, final da Kombi, enfeitada, duas cores, a R$ 85 mil, definida em 600 unidades, dobrou. Demanda eleva a 1.200. 100% de erro na previsão – lembra os exatos cálculos federais nos micados leilões da BR262 e exploração do Pre Sal no campo de Libra…

Razões – Trato de veículo de coleção. Aos locais, lembrança dos tempos de implantação da indústria automobilística, 1957. A estrangeiros ecos do passado. Nossa Kombi é o modelo T1 e ½. A atual é a Transporter 6ª geração.

Referência – Para a Coluna acaba a Regra de Três da realidade de preços. A Kombi permitia olhar o passado, comparar seus valores com Aero Willys, Simca, Gálaxie, Opala, Santana, Tempra, sucessores, saber da relatividade neste país sem referências.

Lá – Renault anunciou investimentos na Argentina, quinto mercado da marca, buscando voltar a liderar vendas. Diz o governo, redesenho de modelos – Kangoo e Fluence -, chegada de novos – hatch  Fluence -, e novos automóveis e utilitários. Argentina quer exportar à América Latina. Brasil maior cliente.

Impasse – Freio no anúncio do aplicar R$ 2,5B pela GM, para novo carro compacto em São José dos Campos, SP. Cizânia com metalúrgicos da região gerou Quebra pau resultando fórmula perdedora: transformou o Corsa Classic em Zumbi, morto pela fábrica, mas em produção para esticar o acordo enquanto rola um programa de demissões voluntárias.

Carrinho do Rio – Confusão com mão de obra e acordo com a Peugeot podem mudar local e produto. Seria em plataforma comum na fábrica francesa em Porto Real, RJ, na mesma Dutra, 140 km em direção norte. E sem problemas.

Por anotar – Curioso, ano pré eleitoral, marketing em lugar de ações construtivas, nem governador de SP ou Rio, ou candidatos a Presidente, ajudam em decisão. É ocasião em tempos de fazer festa com foguete alheio.

Sem carro – Mais um Dia Mundial Sem Carro, ganha adeptos, mas não ganha soluções, nem agentes oficiais, ou projeto para se tornar realidade no substituir o uso do carro por opções, como as bicicletas, a sangue ou elétricas. Em Brasília, bicicleata com patrocínio do Denatran. Apenas festiva.

Tentativa – A Caloi, ex-nacional, faz campanha digital. Neste ano, irônica, foi “Apoiamos a criação de carros em cativeiro”. Exibe carros atrás das grades das casas e prédios, feras que não podem conviver com a sociedade, e fomenta uso de bicicletas. Em (www.caloi.com); Youtube (http://youtu.be/VcWyiA3cgow), Face (www.facebook.com/MovimentoCaloi).

Sim – Fernando Scherer, nadador, contratado pela Chery, chinesa chegante, para anunciar Celer e QQ, em liquidação por respectivos R$ 29.990 e 19.990.

Linha – Inglesa de origem, controlada por fundos de investimento, Aston Martin faz campanha para valorizar usados, melhorar demanda, valor, distância a modelo novo.

E daí … ? – Em anúncio, moça de ótima distribuição de massas e volumes, em sensual descompromisso, ao lado de pequeno texto: “Você sabe que não foi o primeiro. Mas isto realmente importa ? “

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Por pensar, ser o primeiro influi ?

Mão no bolso – Em corte de despesas GM fechou todos os escritórios regionais. Executivos trabalharão em casa. Em Brasília, exceção, sala pequena para acompanhar ações no governo. Vendas 2014 dirão dos resultados.

Misto quente – O furgão Fiorino vai-se com o Mille. Substituto exclusivo na Fiat Br, emenda novo Uno, até Coluna B, a meia plataforma do picape Strada, reforçado, eixo traseiro para trabalho, mola mono folha semi elíptica longitudinal.
Fiorino lidera segmento ante concorrentes Renault, Peugeot e Citroën. A parte Strada permitirá mais carga, com mudança do motor: 1.4 Fire, recalibrado a melhor torque em baixas rotações e uns 85 cv. Novembro.

Corrida – Mudanças por fatias dos clientes Kombi, mercado presenteado aos chineses. Resta saber se aguentam o tranco.

Rede – Chinesas buscam regiões de boa renda para implantar revendas. Em Ribeirão Preto, SP, Saucer Motos é Lifan. Vender novo SUV X60 e assistir aos não mais importados 320 e 620, novos micos.

Mais – Em Itu, próxima a S Paulo, revendedor Michelin inaugura Tool Motors, da recente Rely, com picape e van. Em 60 dias, Sorocaba.

Mercado – Ofertas, atrações, promoções para fomentar vendas no final do ano, unidades 2012 – de algumas marcas -, ou 2013, para livrar-se de estoque.

Conselho – Vai comprar? Informe;se, evite carro descontinuado. Se nacional barato, veja só com air bags, almofadas de ar, e ABS. Sem, nada feito. Obrigatórios após janeiro, à hora de vender, sem eles será mico sem liquidez. Ninguém quererá.

Mais uma – Nova revista de motos, a Motosport, abordagem elegante. Da Market Press Editora, no mercado desde 1994, equipe especializada.

Foco – A usuários de motos grandes, maior crescimento no mercado, conteúdo à altura, projeto gráfico, valor à fotografia, medidas de revista de mesa. Edu Viotti, editor, faz revista sobre vinhos, é ex-veículos na Folha de São Paulo.

Registro – Há tempo a Editora Sisal analisou o mercado, público, e aferiu: o segmento das motos de trabalho arrasava os demais. Fez revista adequada a usuários das Honda CG 125 e que-tais. Levou tremenda trombada, não vendeu: tal público não consome leitura e informação.

Nacional – Orbived, novo selante de silicone auto vulcanizável, substitui juntas de papel velumóide, cortiça e feltro usadas para juntar, selar, calafetar, encher espaços entre superfícies – bombas d’água, de óleo, e nos antigos, de gasolina.

E, … – De R$ 5 e R$ 8 no varejo, e em três cores. Vermelha resiste mais.

Aula – Lembra antiga Revista Sesinho: diverte, instrui, educa. É a Autoclasica, maior exposição de veículos antigos no Continente, em Buenos Aires, 11 a 14 de outubro, segunda, feriado lá. Brasileirada visitante em peso. Previsão 800 veículos superiores. Aston, Lamborghini, Porsche 911, Mercedes Pagoda, e Chevrolet Corvette homenageados por aniversários. Da terra, Sport Protótipos.

Gente – Vilmar Fistarol, CEO de compras das empresas Fiat e membro do Grupo Gestor da matriz, trabalho.
Incorpora presidência da Fiat Industrial, guarda chuva para Case Construction, Case IH, New Holland, FPT e Iveco na América do Sul. Buraco aberto pela saída ab rupta de Marco Mazzu, há menos de ano no cargo, por razões pessoais, incertas, não sabidas.

Fistarol chegou à Fiat em jipe Campagnola, engatou a primeira reduzida e, em 22 anos tem invejável cartel de resultados nacionais e internacionais.
Havendo bolsa de apostas à sucessão de Cledorvino Belini, hoje capo di tutti capi abaixo do Equador, banque-o.

Rogério Louro, 36, jornalista, nova mesa. OOOO Deixou a PSA, holding Peugeot+Citroën, foi-se para a Nissan. Gerência.
A japonesa muda sua estrutura para crescer.
W
olfgang Hatz, 54, e Uwe-Karsten Städter, 57, alemães, executivos, mantidos.

Porsche esticou por cinco anos seus contratos como diretores.
Razões maiores, manter condições de alinhar-se, sem inibição tecnológica, com a Volkswagen, controladora do grupo.
Na prática, crescer sem ser assunto na briga dos primos acionistas majoritários – Porsche na Porsche, e Piech, na Volkswagen, acionistas um na outra.
Família poderosa.
End eletrônico: edita@rnasser.com.br           Fax: 55.61.3225.5511


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