Willys Interlagos foi o primeiro esportivo nacional

Como uma homenagem ao templo sagrado do automobilismo brasileiro, em 1961 surgia o primeiro esportivo fabricado no Brasil: o Willys Interlagos. Cópia quase fiel do esportivo francês Alpine, o Interlagos abriu a porta para outros esportivos, como, por exemplo, o Puma, e foi responsável pelo maior impulso que o automobilismo brasileiro teve em todos os tempos.

Produzido em série, o Interlagos tinha a carroceria em fibra de vidro, motor traseiro de quatro cilindros em linha e cilindrada que variava de 845 cm3 a 998 cm3. A potência máxima, de 40, 50, 56 ou 70 cavalos, também variava em função da carburação utilizada, simples ou dupla, e da taxa de compressão entre 8:1 e 9,8:1. Esta ultima só aceitava gasolina azul.

Graças ao peso muito reduzido e à ótima aerodinâmica, preocupação rara, o Interlagos conseguia um bom desempenho. A velocidade máxima era superior a 160 km/h e o carro acelerava de zero a 100km/h em “apenas” 14,1 segundos. Números impressionantes para a época.

Até 1966, o Willys Interlagos continuou a ser produzido em três versões (conversível, berlineta e coupê) e se manteve sem alterações. Nesse ano, o esportivo brasileiro ganhou pequenas modificações estéticas e passou a adotar um único motor, de 845 centímetros cúbicos e 55 cavalos de potência máxima.

O rei das pistas

No início da década de 60 surgia a Equipe Willys de Competição, que foi responsável pelo progresso das corridas automobilísticas no Brasil. O esporte, antes elitizado, virou paixão nacional. Os famosos Gordini e Interlagos, muito bem preparados e bem leves, davam shows em cima de verdadeiros bólidos importados. A Equipe Willys era tão importante e profissional para a década que por ela passaram nada menos que Bird Clemente, Luis Grecco, Christian Heins, Wilson Fittipaldi Jr., Emerson Fittipaldi, Jose Carlos Pace e Luiz Pereira Bueno, entre outros. Luis Grecco viraria logo chefe da equipe Willys e os três últimos chegariam à Fórmula Um, sendo que Emerson conquistou alguns anos depois um bicampeonato na categoria.

Em 1965, a Willys importou os “verdadeiros” Alpines com motor de 1300 cc. Estes eram verdadeiros carros de corrida.

Em 1967, a Ford comprou a Willys e manteve por pouco tempo a produção de todos os modelos, substituindo por carros mais atualizados e modernos. A única salvação foi a fantástica equipe de competição, que com outros produtos Ford, foi ao longo de décadas alimentando o automobilismo e a paixão nacional.


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