Coluna “De carro por aí” – Por Roberto Nasser

Nasser

Coluna 2716    29.Junho.2016                                

 

Bom, bonito, o Kia Sportage

Quarta edição, sucesso de vendas crescente, projeto premiado, Kia Sportage inicia ser vendido no Brasil e, com esperanças de José Luiz Gandini, importador, de retomar a posição de mais vendido da marca.

Mudou tudo, incluindo design atualizado e conteúdo. Terá sido o último Sportage sob o lápis de Peter Schreyer, festejado designer, presidente da Kia. Deve se aposentar em dois anos e próxima geração surgirá em 2021. Embute muita dedicação para se tornar referência, linhas agradáveis, grade e frontal inconfundíveis, incorporando detalhes marcantes em outros produtos, como os frisos em relevo no capô, lembrando esportivos Mercedes, e o perfil do aerofólio traseiro, assemelhado ao do Macan Porsche.

Fugiu do desenho ensandecido em planos e cortes, tão a gosto de coreanos, e tem harmonia de formas. Tanta, venceu prêmios de design, como o Red Dot e o iF. Cresceu 4 cm em comprimento, 3 cm em altura, manteve a largura de 185,5 cm e esticou entre eixos em 3 cm, indo a 267 cm. Arquitetura interior oferece mais espaço para passageiros e carga. Nova construção aderiu à moda tecnológica de aço leve e resistente para áreas de maior esforço, aumentando em 33% sua aplicação, atingindo pontuação máxima em entidades de segurança nos EUA: cinco estrelas no NHTSA e máxima no IIHS.

Conteúdo enriquecido em conforto e segurança, as duas versões compostas para o Brasil tentam cercar os compradores. Entrada, mais simples, sem entretanto passar vergonha por não portar revestimento em couro, 10 regulagens elétricas nos bancos frontais, é bastante palatável. Altamente recomendável não fosse a omissão do auxílio eletrônico para estabilidade, o EPS, e das aletas sob o volante para o comando manual das marchas, não embarcados por razões de continência.

Motorização única, 4 cilindros, dianteiro, transversal, flex, 2,0 litros, DOHC e 16 válvulas. Com álcool, torque de 20,2 kgmf, e 167 cv; gasálcool, 156 cv e torque de 18,8 kgmf. Transmissão automática, seis velocidades, tração dianteira.

 

Quanto custa

Versão R$
LX 109.990
EX 134.990

 

 

 

Foto Legenda 01 

Kia Sportage, 4ª. Geração revista e melhorada

 

 

Saab vai-se

No pós-Guerra, engenheiros aeronáuticos da sueca Saab – a dos caças Grippen – projetaram pequeno automóvel. Leve, resistente, aerodinâmico, motor 3 cilindros, 2 tempos. Marcou-se mundialmente por vencer rallyes contra concorrentes mais fortes.

Em 1989 focando no negócio principal, equipamentos de defesa, passou à GM 50% das ações e o controle, gerando o óbvio: se a rede de supermercados compra a ótima doceria do bairro, cai a qualidade, vai-se o charme, negócio fecha. Perdem todos. Ao comprador falta refinamento, sobra grosseria.

GM entrou em crise após tentar assumir a Fiat, e passou a Saab à Skyper, marca exumada para fazer carros esportivos. Muita lenha sueca para o caminhãozinho holandês, negócio se inviabilizou.

Foi vendida ao grupo chinês NEV, de carros elétricos, e logo a carroceria do Saab 9-3 movida por eletricidade era o modelo NEVS – S, de Suécia. Operação complicou em caixa, fluxo, recursos, desde 2012 entre a recuperação judicial e a falência e, ante planos de se transferir para a China, a holding Saab proibiu o uso da marca e da logo. Os NEVS não serão Saab.

Referencial qualidade é pouco conhecida no Brasil. Em 1956, à implantação da indústria automobilística nacional, numa bravata, a UDN, partido de oposição ao governo JK, para inviabilizar o projeto, criou oportunidade de importação de veículos. Entre os neo importadores a companhia T Janer, trouxe Saabs. Mais famoso, o do arquiteto Oscar Niemeyer, para rodar em Brasília e viagens, ante seu pavor a aviões. Início dos anos ’90, representante em S Paulo vendeu dúzia de unidades e saiu do negócio. Saab agora é história.

Em veículos Suécia resumiu-se aos caminhões e produtos industriais Volvo. Outras, Scania é Volkswagen, e Volvo automóveis, chinesa.

 

Foto Legenda 02

 

Saab

 

Vespa que voltar. De novo

Motoneta, ou termo da moda Scooter, italiana Vespa quer voltar à produção no Brasil. Novo representante, a Asset Beclley Investments Management, visa construir parque industrial e abastecer Brasil, Mercosul e América Latina e em 5 anos, conquistar 10% do mercado de motos com marcas Vespa e Piaggio.

Pretensões elevadas, repetir participação mundial, como 15,2% e liderança europeia e 21,4% entre scooters. Lidera nos EUA com 20%.

Quarta vez – Chegou ao início da motorização nacional, de 1958 a 1964, pela carioca Panambra. Década após, 1974 a 1983, no modelo de montagem na Zona Franca de Manaus, pela empresa Barra Forte. Fechou. Voltou em 1985 mudando desenho operacional, societário, pela Motovespa, juntando matriz italiana Piaggio, 45%; Caloi, 45% e B. Forte, 10%. Em 1985 e 1986 em superficial montagem e, daí produção e nacionalização de 90%. Dado inimaginável, superou a líder Honda CG 125. Pouca duração, em 1987 Caloi deixou a sociedade, e crise de administração encerrou-a em 1990.

Quatro anos após a ágil Brandani, de Ribeirão Preto, SP, importou modelo 150 da Índia. Cessou em 2.000. Outros quatro anos de ausência, Piaggio e Vespa com outro importador a partir de 2004. Fechou.

Agora, novo empreendedor contratou para implantá-la Longino Morawski, responsável pela sedimentação da Harley-Davidson, e ex-Toyota.

 

Foto Legenda 03

 

Vespa, de novo, novamente ….

 

Roda-a-Roda

Fumaça – Incalculadas mudanças e prejuízos econômicos para a decisão de o Reino Unido deixar a União Europeia, na indústria automobilística inglesa, para patrões e empregados situação medeia entre o receio e o pavor.

Base – A grande ilha baseia grande número de fabricantes estrangeiros exportando sensível parte de sua produção. Segundo maior fabricante de automóveis ingleses é a japonesa Nissan …

Custos – Sair da UE significa o estabelecer de barreiras administrativas e tributárias para importar e para exportar – ou seja, aumento de preço nos produtos, com inevitável queda em demanda – e risco aos empregos.

Aqui – De lá Brasil importa Minis, Rolls-Royces e Jaguar Land Rover. BMW informou situação não afetará o preço dos Mini. RR é inexpressivo no panorama: 4 unidades em 2015, nenhuma em 2016. Jaguar e Land Rover entendem cedo para projeções.

Outro lado – Enquanto muitos perderão, cálculos dizem, Bernie Ecclestone, diretor comercial da Fórmula 1, ganhará muito. Empresa sediada na Inglaterra, faturamento externo estimado em US$ 2B, valorizou 10% ande queda de valor da Libra. O Brexit deu ao polêmico e processado Ecclestone, mais de inesperados US$ 200M!

Negócio – VW alemã traçou projeto de indenização aos compradores nos EUA de 482.000 veículos diesel TDI com emissões acima do teto legal, o Dieselgate. Pagará entre US$ 1 mil e US$ 7 mil, dependendo do carro e caso. Em re-call impossível comprará os carros. No total, US$ 15B para encerrar ações no âmbito civil, indenizar proprietários, multas e dedicar a pesquisas.

Razão – História contada pela publicação AutoData diz de estudo da Escola de Guerra Econômica, do Ministério da Defesa francês, apontando o Dieselgate como iniciativa tática dos EUA contra os fabricantes europeus de veículos e a aproximação da Volkswagen à liderança mundial.

Pontos – Relaciona a divulgação da história à véspera do Salão de Frankfurt; a hábil condução para o lado da falha dos alemães sobre o diesel, preferido na Europa, desprezado nos EUA; as multas maiores para Toyota e VW relativamente às aplicadas contra a GM.

Resumo – Capítulo da disputa de condições nas quase secretas negociações para o Tratado Transatlântico. Tal Cavalo de Tróia regerá relações empresariais em todos os campos de atuação. Críticos dizem, Washington entra com as regras, os europeus com a submissão. Sendo, o Dieselgate quebra a canela dos industriais europeus de automóveis.

Mais um – Renault Brasil importará o SUV Koleos. Quer reduzir a ociosidade de sua licença de importação para 4.800 u/a. Grande aos padrões nacionais, 4,67m de comprimento, aproximado ao Land Rover Discovery.

Parâmetros – Novo modelo será apresentado na França próxima semana, e versão importada marcar-se-á pelo refinamento na decoração, motorização 2,5 litros e 175 cv, transmissão CVT, tração total. Dúvida maior na Renault é como chamá-lo: Koleô, em pronúncia francesa; Kôleos ou Kolêos ? Nome grego, expressão de medicina, nada tem a ver com o produto: é bainha.

SUVs – Em um ano Renault terá quatro utilitários em seu portfólio. Do Kwid, pequeno, a ser apresentado no Salão do Automóvel em S Paulo, novembro, substituindo o Clio; o Captur, pouco maior; o Duster; e o Koleos.

Foto Legenda 04

Koleô? Kôleos? Kolêos? No Brasil ao Salão do Automóvel

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Primeiro – Dentre novas montadoras de picapes médios no Mercosul, Renault arrancou primeiro: mostrou seu Alaskan na Colômbia. Será produzido na fábrica Renault em Córdoba, Argentina – de onde, há 60 anos, saiam picapes Willys.

Setorial – Argentina firma-se como produtora de picapes. Hoje Toyota Hi-Lux, Ford Ranger e VW Amarok.  Fará, como a Coluna também antecipou, base comum para picapes Renault Alaskan, e Nissan NP 300 Navara – ou Frontier – na fábrica de Córdoba. E estenderá o fornecimento à Mercedes-Benz no modelo Classe GLT, além de Peugeot. Alaskan à venda em julho.

 

Foto Legenda 05

 

Picape Renault Alaskan, aqui, início de 2017. (Divulgação)

 

Vem mesmo – Presidente da holding PSA, Carlos Gomes, confirmou picape Peugeot para 1 t no Mercosul. Frédéric Chapuis diretor de veículos comerciais da marca, à frente do projeto. Local não anunciado.

Mais – VW Amarok ganhará motor V6, 3,0 litro, diesel. Vendas em 2017.

Questão – Argentinos dizem, seu presidente Maurício Macri, ouvirá dia 5, na matriz VW na Alemanha, durante visita, investimentos para novo produto na fábrica onde hoje fazem Amarok e CrossFox – lá dito Suran. Porta voz de David Powels, presidente da VW América Latina, desconhece.

Parou – Chinesa Chery, mais nova das montadoras no Brasil, parou linha de produção até novembro. Muito estoque, poucas vendas. Dará férias coletivas, licença remunerada e lay-off – inatividade com pagamento reduzido.

Continua – Processo produtivo interrompido não impedirá lançamento do novo QQ nacional em julho. Formou estoque.

Por cima – Ford aplicou motor de três cilindros, 1,0, à versão Titanium, topo do Fiesta. Pico da tecnologia para a cilindrada: turbo, injeção direta, duplo comando variável, pressão variável pela bomba de óleo, dois sistemas de refrigeração e resfriamento dos pistões por jato de óleo.

Mais – Faz 125 cv, torque de 17,3 kgfm e, diz a Ford, o mais econômico do país. Transmissão é a polêmica sequencial antes chamada PowerShift. Lançamento não é fato isolado, opção e evento na linha Fiesta, mas integra processo de recuperação de vendas, com mudança de gestão interna – gerente comercial de caminhões venderá automóveis e vice versa.

Democratização – Versão 1,0 custa R$ 71.990; 1,6 Sigma SE (R$ 51.990), SEL (R$ 58.790) e Titanium (R$ 70.690), transmissões manual ou a sequencial.

Charme – Mercedes incluiu o modelo nacional Classe C dentre os vendáveis a pessoas com deficiência. Com direito a isenção de IPI custará R$ 134.144,15.

Curiosidade – Na lista, o GLA, iniciando produção paulistana. Primeiros a dirigi-lo não foram jornalistas especializados, mas motoristas com deficiência. A público será apresentado em julho.

Clima – José Luiz Gandini, presidente da Kia e da Abeifa, associação dos importadores de veículos, crendo em novos ventos econômicos perlustrou sofás em Brasília. Argumenta, cota de 4.800 u/a isenta dos 30 pontos percentuais sobre o IPI de veículos importados, é irreal no país e no setor.

Elegância – Sugere cota seja a média das importações dos 3 últimos anos pré imposição dos 30% sobre imposto. Não toca no assunto de os ex-ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel e Mauro Borges, condutores da legislação, serem indiciados em processos sobre facilidades legais. Ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, ouviu com interesse.

Acordo – Brasil e Argentina renovaram acordo automotivo até 2020. Regras tortas mantidas para a isenção alfandegária: cada US$ 1 exportado ao Brasil, a Argentina poderá importar US$ 1,5 em produtos brasileiros.

Sub estabelecimento – A partir do dia 8, Resolução do Contran torna obrigatório uso de farol baixo durante o dia, em estradas, como item sinalizador de presença. Obrigou mas não explicou. Carros novos tem Luz de Rodagem Diurna, as lanternas com lâmpadas LED. Moral da história, concederam aos policiais rodoviários o poder de exegese, a interpretação legal: as LRD LED e sua específica e mundial função substituem os faróis – ou geram multa ?

Gente – Lulla Gancia, 92, elegante, passou. Melhor qualificação para a senhora ativa, fina por origem e educação, mulher do Piero Gancia (1922-2010), piloto e representante da marca Alfa Romeo, renovador do automobilismo brasileiro. Lulla foi a responsável pela alteração positiva do Kartódromo de Interlagos; correu com seu motorista nos 1.000 Quilômetros de Brasília – 1966, 5º. lugar na geral – brilhou na apresentação do protótipo Simca Ventania junto com a atriz Normal Bengell, autódromo do Rio.
Vladimir Mello, comunicólogo, gerente de relacionamento da BMW no Brasil, promoção. Entra na folha de pagamento da matriz. Do México assistirá instalação de fábrica, e comandará área no Caribe e América Latina.  Frisson no segmento: bom emprego procura titular.

edita@rnasser.com.br    

 

 


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