Coluna “De carro por aí” – Por Roberto Nasser

 Nasser

Coluna 3015         04agosto.2015                    

Troller T4. Saem os jipeiros, entram os Trollistas

Ao assumir a marca Troller – para aproveitar incentivos regionais – Ford reformulou o produto: mudou a mecânica integralmente, estendeu o motor diesel 3.2, 200 cv, quase 48 quilos de torque e cinco cilindros de sua produção; transmissão de seis marchas, equipamentos do picape Ranger; fez nova carroceria com harmonia estética com propósito de ter aparência de veículo forte, troncudo, disposto. Cores vivas, vermelho, Amarelo, Verde, combinando com o sóbrio e fosco Cinza Londres. Mudou tudo para mudar a clientela. Em vez de jipeiros, sempre envolvidos com desafios fora de estrada e pouco uso urbano, buscou criar Trollistas. Usuários exigentes quanto a confortos como bom isolamento termoacústico, agrados visuais como a combinação de placas plásticas no interior, os bons bancos revestidos em couro. São usuários urbanos, com eventuais escapadas aos exercícios fora de estrada. Industrialmente melhorou máquinas, processos, qualidade e produtividade.

Deu resultado, o bloco de mudanças chamado T4 agradou, e previsão de vendas para o primeiro ano deve superar em três vezes – o último ano do Troller T3 vendeu 728 unidades. O T4 já comercializou 2.100 antes de completar 12 meses.

Exceto pela descombinação entre o motor super dimensionado, capaz de elevadas velocidades, o elevado centro de gravidade, as mais de duas toneladas de peso, e os eixos rígidos frontal e traseiro, cumpre sua função.

Troller Day

Mudou o público, mudaram os hábitos, e por isto a Troller montou estrutura e percorre o país promovendo passeios com os veículos, para usuários, familiares, convidados participar de trilhas onde as capacidades do jipe podem ser utilizadas. Representante da Troller em Brasília, a Trilha Capital, recebeu e fomentou o Troller Day no último sábado. Trilhas pela Fazenda Taboquinha, outro mundo, cerrado seco – com poeira da falta de chuvas há 100 dias -, a 10 km do Lago Sul, o bairro com maior renda per capita e o índice casa x piscina no país.

Trinta Trollers, entre poucos modelos antigos, famílias, crianças, usuários, interessados, participaram do seguir estradinhas rurais, picadas, rodar em terra seca, barro, areia, cruzar o outrora portentoso Rio São Bartolomeu. E exercícios de íngremes subidas e descidas para mostrar que o T4 não é apenas um corpinho bonito.

Estava lá, convite do Marco Paulo Carvalho, revendedor em Brasília. Levei um canivete Leatherman, água e protetor solar – quem de fora desconhece a competência do sol do Planalto em meio ambiente de baixa umidade. Não usei o canivete e suas múltiplas funções, mas água e protetor quase em quantidades iguais. Fim do dia exibia um bronzeado meio indiano, meio egípcio.

Por Aí

Não se entra no jipe. Galga-se. Pé esquerdo no elevado estribo, mão esquerda na alça pesa à coluna A, impulso com a perna direita, chega-se ao bem projetado banco. Boas regulagens, diferença de postura para conduzir, a curiosidade da alavanca de marchas ser recuada. Precisa em seu uso. Vidros tintos, boa isolação, bom som Kenwood – mais útil seria tela de GPS -, em pouco tempo descobre-se, das seis marchas, melhor sair em segunda, pois a primeira é para trabalho, tipo sair em ladeira, arrancar toco. A segunda poderia ser levemente mais reduzida, para sair em exigir a embreagem. Comandos no limite do conforto.

Anda muito bem após arrancar ainda melhor. Reações rápidas para volante e acelerador, e freios muito superiores à versão anterior – se é que dispunha …

Comando da tração nas 4 rodas e da reduzida por botão rotativo no console, entre bancos. Lembra o elevado percentual dos estudantes brasileiros que não conseguem interpretar textos ou ordens. Você pede engrazar a tração ou a reduzida, e o comando, nada. Você insiste e aí, finalmente, se toca e faz. Não tenho saudade de carburador, de platinado e condensador, componentes mecânicos banidos pela tecnologia em nome das baixas emissões. Entretanto sou pelo engatar por alavanca. Mexeu, faz um clac e engata. Idem, cloc, e desengata. As soluções atuais, de botão elétrico/eletrônico/mecânico envolvendo enorme renca de fios, contatos, relês, motor elétrico, tudo passível de enguiços. Como dizia o Dr. João Gurgel ante a simplista construção do seu BR 800, peça que o carro não tem, não quebra.

Consumo declarado pelo fabricante, cidade 9,8 km/l, estrada 12,3 km/litro diesel S 10. Trilhas, muito maior, funcionar constante, pouca quilometragem. Bom ar condicionado não afeta o motor. Velocidade máxima? Não aferi. A combinação de grandezas exponenciais como o peso e a velocidade, e a suspensão por eixos rígidos desaconselham assumir qualquer risco pessoal.

Fim da aventura, o vermelho do T4 mascarado pelo pó de terra, cheguei em casa e passei um jato d’água para devolve-lo. Busquei um pano para remoção das marcas internas, e me surpreendi com boa vedação. Nada havia.

Reparos

Entendo o T4 mereça aperfeiçoamentos como a leve redução na segunda marcha; substituir o rádio por GPS; melhorar  – leia permitir – o acesso ao banco traseiro; trocar o botãozinho boiolo-feminino da tração e da reduzida por alavanca mecânica.

Por pensar, demanda transmissão automática – os novos clientes assim exigem –, e aumentar um palmo no comprimento criando um mínimo porta malas. Hoje tal espaço, ante tal função, está entre o risível e o decepcionante. No mais, surpresa agradável. (RN)

Foto Legenda 01
Troller T4, urbano com vocação off Road.

 

Roda-a-Roda

Rolim – Tudo indica, chineses leram a biografia do Comandante Rolim Amaro, criador da TAM. Uma de suas frases, “Quem não tem inteligência para criar tem que ter coragem para copiar”, terá inspirado a Land Wind em seu novo utilitário esportivo, o Land Wind X7, cópia do exitoso Land Rover Evoque.

Quase – Parte externa, no atrativo visual copia até a tipografia usada para escrever Land Wind, na mesma posição das letras no Evoque. Dentro, trato simplório, e na mecânica, em lugar do motor Ford 2.0 Turbo de 240 cv, outro, copiado de um Mitsubishi antigo, também turbo, 2.0 e 193 cv.

 

 

Foto Legenda 02

Evoque Xing Ling é Land Wind X7

 

Cruze – Informações argentinas dão conta de paralisação da fábrica da GM em Rosário. Presença de engenheiros coreanos para ajustar processo produtivo às exigências da GM na Coreia, e produzir o novo Cruze. Novembro.

Foco – Buscando contornar sua baixa performance no segmento de sedãs, linha Ford Focus 2016 aí mirou maiores mudanças. Alterou a traseira, tornando o sedã de dois e meio volumes, como inventou à época do Escort.

Conjunto – Boa motorização 2,0 litro, 178 cv com álcool e imponentes 22,5 kgfm de torque, atracado a caixa automática de seis velocidades. À frente, grade à Aston Martin. Preços não são atrativos: de R$ 80 mil a R$ 97 mil.

Promoção – Para movimentar negócios chinesa Chery sorteará exemplar do Celler Hatch entre interessados fazendo test-drive em seus produtos até 15 de setembro. 500 primeiros ganharão duas entradas de cinema. Mais em www.estecheryemeu.com.br

Prêmio Primeira vez concorrente no Forum PACE – Parceiros pelo Avanço da Educação da Engenharia de Forma Colaborativa -, alunos do Centro Universitário FEI, em São Bernardo do Campo, SP, participaram da construção do veículo REVO. E ganharam três prêmios.

Futuro – Problema proposto, veículo urbano para futuro de menores espaços, consumo e emissões. O REVO tem mecanismo, como sanfona, reconfigurando se para transportar carga e/ou pessoas, pensado como veículo público.

 

 

Foto Legenda 03

 

Equipe, escala 1:1, e o REVO, 1:3.

 

Enfim – FCA iniciou produzir versão de entrada do Jeep Renegade anunciado R$ 68.900 em out doors dos revendedores, porém inexistente. Motor 1.8 flex, câmbio mecânico de 5 marchas, ar condicionado, direção elétrica, rádio, Bluetooth, freio de mão eletrônico, trio elétrico. Acima, R$ 2 mil, versão Sport.

Oroch – Picape com exocético foco de marketing – lazer e asfalto, motores 1,6 e 2,0 litro, tração simples –, o Oroch (diz-se Oroche ou Oroc? que nome …) sobre  plataforma Duster à venda em Outubro. Fábrica abriu encomendas. Em https://www.renault.com.br/veiculos/lancamentos-2015/duster-oroch.html

Ocasião – Definição Renault propeliu o surgir do concorrente frontal, o Projeto 226 da FCA, possivelmente com o nome de Toro. Terá emblema Fiat, marcado pela elegância de linhas, opção de motor 2.4, e diesel com tração nas 4 rodas. Preços assemelhados, de R$ 70 mil a R$ 110 mil.

Surpresa O picape tipo tríplice aliança entre Nissan, Mercedes e Renault a ser produzido na Argentina, antecipado pela Coluna há meses, anda muito rápido. Modelo de pré produção será mostrado em setembro.

Perdeu – Presidente Dilma sancionou mudanças no Código de Trânsito Brasileiro. Mais propalada, mais multas e pontos pela invasão das faixas exclusivas a veículos de transporte coletivo.

Faltou – Reconhecidamente sem assessoria, esqueceram de lembrá-la, maior problema de trânsito e acidentalidade, é a exceção legal para a circulação de motos entre demais veículos. A Previdência agradeceria a mudança e a redução de mortos e inativos.

Mundo Gira – Quem diria, o ex poderoso ministro José Dirceu andando em carro da polícia. Quando governo, usava batedores para fechar o trânsito na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para passar sozinho, isolado, longe dos eleitores e contribuintes com seu desnecessário aparato de segurança. Era o Comissário do Lulopetismo. Agora é o Preso do Pixuleco…

Futuro – 10 e 11 agosto, 13º. Simpósio da SAE Brasil – entidade de engenheiros automobilísticos – discutirá temas do automóvel em futuro breve: uso de turbo alimentadores e motores elétricos para ajudá-los; injeção direta em motores flex fuel; bombas de combustível com fluxo variável; lubrificantes; e modelos de fundição em ferro, obtendo peso inferior ao alumínio.

Situação – Tempos novos. Hoje quem provoca ganhos tecnológicos, em especial de redução de consumo e emissões, não são técnicos ou engenheiros, mas advogados assessorando órgãos do governo a baixar limites a ser cumpridos. Mais?  http://portal.saebrasil.org.br/portal/evento/13-simposio-saaebrasil-powertrain. Via internet a participantes fora de SP.

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Tachões são ilegais, alerta IBADEC. Requeira Detran retirar

 

Fora – IBADEC, instituto de defesa da cidadania, alerta: tachões, nocivos limitadores de trânsito, apesar de largamente aplicados até por Detrans, tem uso proibido pela Resolução 336/2009 do Contran, órgão normatizador do assunto, reconhecendo tal aplicação como causador de defeitos no pavimento e nos veículos. Quer ajudar ? Requeira ao Detran de sua cidade a retirada. Se não acontecer, peça ajuda ao Ministério Público.

Topo – BMW Motorrad, divisão de motos, inicia montar modelo S 1000RR, topo da linha. Substitui importações e agrega-se aos outros seis modelos finalizados em instalações próprias em Manaus. Brasil é o quinto mercado da marca.

Evolução – Reacertos eletrônicos, mecânicos em comando de válvulas e vazão dos gases, redução de peso, tem 204 kg, produz 199 cv a 13.500 rpm, torque de 113Nm a 10.500 rpm. Preços: R$ 74.500 em pintura tricolor e R$ 72.900 em vermelho e preto.

Promoção – Faz, até 15 de agosto, promoção nos outros modelos em versão Premium. 35% de entrada, 24 prestações, menos uma, absorvida pela BMW.

Mercado – Para maior participação no mercado chileno, MAN, Volkswagen Caminhões e sua representante Porsche implantaram 7.500 m2 de área coberta. Querem enfrentar concorrentes de todo o mundo. No caso do Chile a Porsche, distribuidora, como em outros países, representa marcas VW.

Outra – Cidade de Águas de Lindóia, com atração maior em seu Encontro de Carros Antigos, abril, 21 a 24, quer dobrar o movimento. Terá o Elegance Car.

E – Organização por Aguinaldo Lorandi, antigomobilista com três décadas de hobby, querendo modificar metodologia de premiação, seguindo parâmetros mundiais, com foco na originalidade. Apoio do Clube de Veículos Antigos de Piracicaba. Se conseguir botar ordem técnica nos prêmios será grande vitória.

Gente – Fabrice Cambolive, francês, formado em comércio e negócios, promoção.  Ex área comercial da Renault Eurásia e Rússia, novo presidente da Renault no Brasil. Sucedido, Olivier Murguet, ocupou o cargo de manter a companhia ascendente, dedicar-se-á à função maior de Vice-presidente Sênior e Presidente do Conselho da Região Américas. Cambolive executou a grande manobra da Renault/Nissan assumir a Autovaz, na Rússia, produtora dos Lada. Trará de volta o jipe Lada, revisto e melhorado por Opel e Renault ? Brasil é carente por estradas e jipes.
Johanna Quandt, 89, maior acionista pessoal da BMW, passou. Ex secretária e 3ª mulher de Herbert Quandt, o controlador da empresa, foi peça fundamental em sua recuperação e na garantia de controle. Detinha 16,7% das ações. Seus herdeiros passam a ter: Stefan, 25,75% e Klatten 20,95%.

up! tsi, a VW e sua nova visão sobre o turbo

Antes de lançar o up! com um desenvolvimento mecânico incluindo um turbo alimentador aplicado ao motor 1,0, em 2001 a Volkswagen fez experiência anterior, ao desenvolver o Gol e a Parati com motor 1,0 Turbo.

Caminhos e objetivos diferentes. No caso do Gol, a Volkswagen precisava de uma referência de atualização para o produto de formulação mecânica superada, e criar mais concorrente sob o guarda chuva tributário dos menores impostos para os carros com motor até 1.000 cm3, os 1 litro, também ditos erroneamente um-ponto-zero.

Foco era diferente, rendimento esportivo com 112 cv de potência, 15,8 m.kgf de torque. Pacote incluía refinamentos de época, formando versão de preço mais elevado, à altura do charme que a menção da palavra turbo significa no universo automobilista. Durou pouco. Grande parte dos proprietários não sabia utilizá-lo e pretendia ainda mais que o oferecido pela versão especial – e o conserto do turbo era de preço desanimador.

A proposta do turbo no up! é diferente. Começa por não ser tratado como turbo, mas TSI. Oferece performance e rendimento adicional, mas a imagem a ser vendida é de conforto de uso, pela flexibilidade do motor em reagir, além de ser o mais econômico no mercado brasileiro. E o motor foi inteiramente modificado para receber tal adjutório: virabrequim, bielas, pistões, e a combinação de injeção direta de combustível e turbo alimentador.

Outro ponto diferencial é ser disponível quase todas as versões em suportáveis e reais, R$ 3.100,00. É um novo foco, para outra clientela, trabalho de engenharia muito mais amplo, e nada tem a ver com o modelo de década e meia passada.

Foto Legenda 05

up! tsi, 1,0, turbo, e nada a ver com o Gol Turbo

 

edita@rnasser.com.br 


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