Coluna “De carro por aí” – Roberto Nasser

Nasser
Coluna 3513  28.Agosto.2013

 

Frankfurt, algumas novidades

Muitos salões internacionais de automóvel há, mas dois pontuam na Europa alternando anos. Pares, Paris. Ímpares, Frankfurt, o IAA. Na monumentalidade de seu espaço – uns 15 km para percorrer diária e estafantemente – neste ano  muitas novidades, conceitos e caminho que ao mercado brasileiro é folclórico-institucional, os carros híbridos. Lá, os combustíveis não petrolíferos evoluem. Aqui olhamos passar o bonde da tecnologia.
Lançamentos de ligação direta, os alemães. VW Golf sétima geração, a ser feito em Curitiba, Pr. E, como antevisão, especial versão R, quarta etapa do motor 2.0 16V, injeção direta, turbo, salta dos 210 cv do Tiguan e Jetta , expelindo 296 cv, indo da imobilidade a 100 km/h em 4,9s. Será opção nacional no Salão do Automóvel de S Paulo, daqui a um ano.

Volkswagen Golf R

2015 Volkswagen Golf R

Mercedes GLA – como CLA com produção nacional mundialmente antecipada pela Coluna  – deixará de ser protótipo e será produto. Nem automóvel nem utilitário esportivo, a inexplicável configuração dita crossover, mescla dos dois.
Motorização pequena, 2.0, de onde a AMG, a empresa de performance automobilística da Mercedes arranca 300 cv.

Mercedes GLA

Mercedes GLA. Meio a meio

Híbridos

Terão referência com o Porsche 918, modelo e quantidade a ser feita. Motor V8 somado a dois outros elétricos, um para cada eixo, gerando 887 cv de potência.

Porsche 918 Spyder

Porsche 918 Spyder. Híbrido esportivo em 918 unidades

Outros, Hybrid Range Rover Sport e Range Rover Sport, aparecerão em Frankfurt com vendas em 2015. Usam o atual pico de desenvolvimento com motor diesel e elétricos, permitindo as conhecidas habilidades fora de estrada, economia – faz até 14,5 km/l -, e aceleram como um carro esporte – aos 100 km/h em menos de 7s.
BMW terá dois I, com denomina seus híbridos. Um, da série 8, é esportivo capaz de recarregar baterias na corrente elétrica doméstica. Motor pequeno, o três cilindros 1.5 bi turbo e motor elétrico. No total 362 cv de potência.
Na mesma linha, o i3, pequeno, arranjo estético curioso, tendo como motor básico o três cilindros com 1,5 litro.
Um novo Mercedes com a mesma tecnologia de recarga, evoluiu para 500. Da luxuosa Classe S, V6 3.0 turbo, 328 cv, mais motor elétrico com 107 cv, dá-lhe esportividade e velocidade final cortada em 250 km/h.
Volkswagen levará dois elétricos, e-Golf e e-UP!. Mostra o seu caminho: nem híbrido, nem hidrogênio, apenas elétricos. Neles, característica curiosa, desenvolveu e construiu suas próprias baterias e os trata como Volkswagens com característica de Volkswagen por facilidade de uso e resistência. No operacional, além de emissões zero, operacionalidade para ser os econômicos de menor custo, tem ganhos de autonomia: e-UP! 160 km e e-Gol 190 km. São recarregáveis e 80% da carga total obtém-se em meia hora de ligação em tomada. Factíveis na Alemanha sem petróleo e com motoristas rodando em média 50 km/dia.

Os comuns

Interessante, distante, XS Jaguar de menor porte, para resgatar o conceito que a Ford, então dona da marca, não entendeu e não vendeu, com os modelos X e S. A sigla sugere mescla. Os indianos, conseguindo êxitos e glórias com Land Rover e Jaguar, deve vitoriar. O XS com motor 2.0 turbo, em torno de 250 cv, será concorrente para Mercedes C, BMW 3 e Audi 4.

Da marca, inimaginado SUV.

Conceito para balizar seus produtos para os próximos anos, o Opel Monza. Nome que a GM gosta, terceiro produto a utilizá-lo, linhas fluidas, lembrando ondas, eletrônica intensiva. Na prática, o caminho buscado: aerodinâmica, baixo peso, eletrônica, baixo consumo e emissões.
Na parte prática novo motor pode chegar ao Brasil para as próximas gerações de produto, quando a GM do Brasil se libertar de sua inspiração atual, os veículos e projetos herdados da coreana Daewoo. É um 1.0; três cilindros, 85 kW/115 cv, turbo, injeção direta, apresentado como mais silencioso, equilibrado que os concorrentes, incluindo o Ford desta categoria eleito Motor do Ano. Torque de 16 kgmf deve permitir uso alegre acoplado a transmissão de 6 velocidades. Estará no Adam, o menor dos Opel e sua base é modular para 3 e 4 cilindros até 1.600 cm3. Diz a GM, o bloco em alumínio, vazado a elevada pressão, o coletor de escapamento fundido no cabeçote, supera vibração e barulho atribuídos aos 1.0 três cilindros. A versão 4 cilindros, SIDI !.6, 16V, turbo, desenvolve 200 cv.

BMW ConcepBMW Concept M4 Coupé em Pebble Beach, 2013

O conceito M4 BMW ocupará o lugar do atual M3 Coupé. Exibido dia 16 no  Pebble Beach Concours d’Elegance , em Monterey, California.  Possível motor L6, dois turbos, gerando tropa próxima a 450 cv.
Dos mesmos acionistas, o desafio de fazer a terceira geração do Mini Cooper. Importante lançamento, também reservou espaço para concomitantes Los Angeles Auto Show e Tokyo Motor Show em novembro. Grade hexagonal, faróis em LEDs e motorização de três cilindros, último grito de tecnologia BMW.
De performance, os Porsches 911 Turbo e Turbo S baseados no recente modelo serie 991 também estarão em Frankfurt. O Turbo entrega 520 cv, o S, 560. A 100 km/h em respectivos 3.2 e 2.9s.
Ferrari com novo modelo, o 458 Speciale, espécie de sucessor espiritual do 430. Mais leve e potente que o 458 Italia, em performance doméstica apenas superada pelo LaFerrari e pelo F 12 Berlinetta. Zero a cem km/h em 3.0s.

Ferrari 458 SpecialeFerrari 458 Speciale

E há itens de adeus. O Lamborghini Gallardo em última versão, Squadra Corse, nome de sua equipe de corridas, última ordem da Volkswagen, dona, mudando a cara da empresa, entrando em competições, evoluindo o produto.

Roda-a-Roda

Mercosul – Gaúcha Agrale incluiu tratores em sua ampliação industrial na Argentina. Marcha lenta, três  modelos e 100 unidades neste ano. Investimento maior visa aumentar o conteúdo argentino de seus caminhões e ônibus a 56%.

Ampliação – Coincidência ou não com a contratação de Mark Hogan, 62, ex presidente da GM Corporation e presidente no Brasil, para ampliar negócios da Toyota nos mercados da América Latina, marca se expande na Argentina.

Controlada – Por meio da Master Trim, associação com a Johnson Controls, investirá US$ 10M em Campana, a 100 km de Buenos Aires. Fará estofamentos e revestimentos para si e terceiros, incluindo o Chevrolet Cobalt nacional. A empresa já opera, e exporta largamente ao Brasil.

Hogan- Honda, com larga experiência mundial, é dos poucos com autonomia para analisar e falar. Criador da fábrica da GM em Gravataí, RS, operações altamente rentáveis, baseada no Corsa, transformado em Celta e Ágile, deve organizar o foco da Toyota, evitando erros como o Etios. Será o novo Bwana para a América Latina.

De novo – Mitsubishi em edição 2014, o New Outlander foca em uso familiar, espaço, tecnologia eletrônica para confortos e segurança. Projeto e construção apurados, incluindo reduzir peso, aprimorar aerodinâmica, eletrônica intensa para evitar e minorar acidentes.

Como – Três versões, com motor L4, 2.0, 160 cv, V6, 3.0, 240 cv, e Full Technology Pack. Construção em alumínio, 4 válvulas por cilindro, sistema de variação em sua abertura. Transmissão automática, seis velocidades, autoprogramável.

Quanto – 2.0 R$ 103 mil; 3.0 R$ 131.000; Full Technology R$ 140 mil.

Apresentação – Usual, mundial e secularmente fábricas de automóveis fazem lançamentos antecipados à imprensa, quando instigam a cobertura jornalística, levantam o assunto, provocam interesse tudo com mídia graciosa. Após, venda e publicidade paga.

Novidade – Com o novo Focus, iniciando vender em outubro, Ford tenta inovar. Apresenta o automóvel em grande festa, público em geral, no Pavilhão da Bienal, S Paulo. Nela imprensa, aparentemente lembrada à última hora – e por protesto o executivo da área não se fez presente – será apenas segmento em meio à convidada chusma midiática e social.

Dará resultado de divulgação e vendas a dispensa da pré apresentação para a imprensa ? A ver.

On line – Honda oferece curso de uso do quadriciclo, veículo de aplicação fora de estrada. Foca segurança e técnicas de pilotagem. Grátis. A fim? www.honda.com.br/harmonianotransito

De volta – GTX, um dos óleos lubrificantes mais conhecidos no país, passou por reformulação, e com atrativos quer o mercado de veículos usados. Vem nas viscosidades 15W40 – 45% da frota o utiliza -, e 20W60 para motores de projeto antigo ou com elevada quilometragem.

Plus – Em ambas, aditivo anti borra, limpa e evita aderências nos dutos de lubrificação. A grosso modo, comparando com o corpo humano, impede a obstrução das artérias, impedindo infarto. Um anti ateromas.

+ Um – Outro chinês em caminhões. Importadora mudou o nome dos caminhões CNHTC para Sinotruk, importou-os e, aprovado seu projeto de adesão ao programa Inovar-Auto, desembaraça enviando-os à rede de 30 distribuidores.

Negócio – Quer vender 702 unidades, isentas do pagamento do Super IPI – o imposto + 30 pontos percentuais -, até iniciar montagem em 2015.

Sim – Pode suscitar dúvidas período extenso para implantar galpão e linha de montagem, o mais simplório passo da industrialização. É engenharia comercial. A Elecsonic, representante da marca, busca sócios para montar o modelo A7 em versões 4×2, 6×2, 6×4 e 8×4.

Novo – Nos EUA Cummins, de motores diesel anunciou novo engenho: V8, 5.0, turbo, nos próximos picapes Nissan Titan. Projetado para 2006 caiu do programa pela crise econômica nos EUA e a encomenda da Nissan o viabiliza.

Continua – Não será exclusivo da Nissan no enfrentar o segmento dos picape peso pesado nos EUA. Une baixo peso e capacidade aqui desconhecida, a de reboque, aplicada a traillers e barcos. Irá para outras aplicações e clientes.

Boa ideia – A Mercedes chamou sua agencia de turismo e moldou o projeto Van Comigo, trocadilho para induzir o uso de vans em transporte compartilhado para eventos, shows, programa esportivos… Emprega o van Sprinter e não é locação do veículo, mas de assento. Interessado se inscreve e espera a formação do grupo. A Gemini Tour toma conta do processo. Em  www.vancomigo.com.br

Programa – Oficina Motor, programa sobre automóveis no Globosat terá matéria de Henrique Koifman sobre alinhamento e balanceamento como elementos de segurança e econômica. Segunda, dia 2, 21h.

Alfa – Ator Leonardo DiCaprio, no novo filme de Martin Scorcese –The Wolf of Wall Street, ainda sem título em português -, dentre outras demonstrações do poder do dinheiro utiliza exemplar de Alfa Romeo Spider Quadrifoglio 1987.

Já vi – É versão estadunidense do conhecido automóvel italiano, que explodiu no mercado quando apresentado em outro filme, The Graduate, com Dustin Hoffman em 1963. Nos EUA em novembro.

Definição – Dos EUA, consultor Rex Parker recém abrasileirado, sobre a intensa programação de leilões, exposições, passeios e corridas na costa californiana, genericamente chamado de programa de Pebble Beach: É a Semana Santa do Antigomobilismo. Ótimo rótulo para conteúdo e duração.
Gente – Carlos Tavares, português, 55, delegado geral e no. 2 da Aliança Renautl-Nissan, disponibilidade.
Declarou que gostaria de chegar a no. 1, mas tudo indica que Carlos Ghosn, 59, permanecerá no posto mais cinco anos. Disse interessar-se por desafio na GM ou Ford.
Dançou, ou, como diz o comunicado oficial franco nipônico, sairá para dedicar-se a projetos pessoais. Prá bobo não serve, e a postura o coloca como primeiro interessado nas duas empresas que mudarão de CEO em um ano e iniciam procurar sucessores.

E o Alfa de corridas, que é um Fiat ?

Automóveis antigos tem valor adicional por característica, raridade, participação em fatos, terem sido propriedade de alguém de relevo, condições adicionais ao detalhamento construtivo.
Exemplar bem conhecido no meio antigomobilístico brasileiro, é o qual chamam Alfa P3 ou Alfa da Hellé Nice, corredora e inovadora de costumes – ela apresentou o maiô de duas peças ao Brasil, fumava em público, – que se acidentou com Alfa – que não era P3 mas 8C 2900 – no I Grande Prêmio Cidade de São Paulo, – av. Rebouças, julho de 1936.
O automóvel ficou muitos anos no pioneiro e corajoso Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas, criação do antigomobilista Roberto Lee e, para ser salvo de depredação, foi doado à Prefeitura de Caçapava, SP.
Buscando resgatá-lo a boa forma, aficionados da marca Alfa Romeo em Minas Gerais junto com o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, fizeram esforço conjunto para reunir meios, fazer um projeto, e restaurar o veículo. Os colecionadores solicitaram ao Curador do Museu opinião quanto ao veículo, sua história e necessidades.
Exame local, na estrutura mecânica, e pesquisa histórica incluindo fontes como o historiador Napoleão Ribeiro, permitiram identificação e surpresa: o Alfa não é Alfa, mas um Fiat 520 de 1928.
Italiano, importado a Buenos Aires, foi transformado em carro de corridas pelo argentino Vittorio Rosa. O construtor/piloto trouxe-o ao Brasil, correndo no Circuito da Gávea, prova da temporada internacional no Rio de Janeiro. Após, vendido ao campineiro Dante di Bartolomeo, dono da Escuderia Excelsior, onde corriam Quirino e seu irmão Chico Landi. Chico, com o carro, ganhou a primeira Volta do Chapadão, primeira corrida em Campinas, vitória indutora da criação do Automóvel Club do Estado de São Paulo.
Com o Fiat Chico alinhou no I GP de São Paulo, liderou por duas voltas à frente de automóveis muito mais potentes e abandonou antes do final dramático.
Após, com o automobilismo brasileiro entrado em letargia, consequência dos acidentes dos GPs de S. Paulo e de Belo Horizonte, o Fiat desapareceu, sem traços. Emergiu abandonado nas beiradas da Capital mineira ao final dos anos ’60, quando comprado por Lee, que o restaurou.
O 520 usa motor Fiat de seis cilindros, aproximados 3.800 cm3 de potência, uns 100 cv de potencia, resistente caixa de marchas com 4 velocidades, eixo traseiro sem diferencial.
E porque tem grade e jeito de Alfa ?  Não se sabe quando ou quem substituiu a original grade frontal com forma de capela pelo inconfundível frontal de Alfa nos anos ’30, mas o historiador Ribeiro lembra, eram tantas as vitórias de Alfa, sinônimo de rendimento, que muitos dos carros de corrida tentavam copiar sua grade. Para lembrar, nas corridas a Itália era representa pela Alfa, e nela Enzo Ferrari era gerente de competições.

Hoje ambas são marcas Fiat.

Alfa dito P3
O Alfa dito P3 do Museu em Caçapava …
Fiat 520

… é Fiat 520. Aqui, Chico Landi vencendo na Volta do Chapadão

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