Coluna “Vamos nos divertir” – Por Chico Lelis

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Duas mortes 

Ontem, terça, feira (30/6), finalmente confirmou-se algo que certamente foi a razão principal do acidente que matou o cantos goiana Cristiano Araújo e sua namorada Allan Coelho: RODAS SOLDADAS. Na tv, um amigo do cantor revelou que deu a ele rodas para seu carro. E, como se fosse a coisa mais natural do mundo, disse que estavam soldadas sim e que “todo mundo faz isso, quando a roda apresenta alguma rachadura. Solda!” . E ele não mente, faz parte do cotidiano do brasileiro soldar rodas de liga, alumínio ou qualquer outro material, mandar soldar a roda se ela, num dos milhões (ou seriam bilhões) de buracos de nossas ruas e estradas, sofrer danos. Há os que fazem isso por economia, afinal um jogo novo custa “os olhos da cara” e outros por pura ignorância, como no caso do cantor sertanejo da nova geração. Claro que a primeira hipótese, pelos ganhos do artista,  está afastada, mas a segunda, apesar da amizade declarada, foi a razão desta escolha infeliz. É preciso evitar, sempre, o uso de equipamento não original, e não apenas em modelos de luxo, como Range Rover, mas em qualquer outro, mesmo nos chamados populares. Uma rodinha mais bonitinha no seu “fusca”, pode significar um dano irreversível.

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Os buracos, claro, ajudaram, mas o equipamento original do carro certamente resistiria à buraqueira da estrada pois foi feito para isso. É um modelo que pode ser usado em estradas com piso muito pior, fora de estrada e outras adversidades. Eu mesmo já usei modelos da marca, inclusive o Range Rover Sport, enfrentando estradas em péssimas condições de asfalto, buracos, terra, irregularidades mil e todos passaram incólumes por estes desafios. Mas, as rodas soldadas lá estavam, para, provavelmente, provocarem o acidente.

Depois que o carro capotou, vem a questão dos cintos de segurança. Assim como a princesa Diana, que morreu em Paris, junto com seu namorado Dodi al Fayed, Cristiano e Allan, não usavam cinto de segurança nos bancos traseiros. Ela morreu no local e ele ainda sobreviveu algum tempo. E o que aconteceu ao motorista, Ronaldo Miranda, que confessou estar acima da velocidade permitida, e o empresário Vitor Leonardo? Sobreviveram , pois usavam os cintos de segurança. Simples assim. Um carro seguro, como o modelo do acidente, com os air-bags (todos funcionaram), se todos estivessem de cinto, certamente teriam mais chances de sobrevivência. Mas …

Então, é preciso sempre, na estrada, na cidade, em qualquer lugar, usar o cinto de segurança, na frente, dirigindo, no carona, ou no banco traseiro. Quem viaja no banco traseiro, sem usar o cinto, além do risco próprio, também ameça a vida de quem está sentado à frente, pois a estrutura dos bancos e o cinto, são desenvolvidos para suportar uma determinada carga e não algo três vezes maior. Só para dar um exemplo, menciono um crash test que assisti no campo de provas da GM, em Indaiatuba (SP). Um dummy (boneco de teste, com características humanas), no tamanho de uma criança de 18 kg, colocado solto entre os dois bancos da frente (que gracinha, ali entre papai e mamãe), numa colisão a 48 km/h, é arremessado contra o para-brisas, batendo

nele com o peso de um elefante filhote, com UMA TONELADA. Sem chances de sobrevivência.

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Qual a cor da byke?

Quando moleque, ainda em Santos, tinha lá minha magrela. Com uma cidade totalmente plana (se quiser subir alguma coisa em Santos tem que num dos seus morros. Não tem uma ladeira, por menor que seja.) era uma delícia nada na minha pretinha. Eu trabalhava com ela e não corria riscos. Era uma delícia ir e vir de byke, como chamam hoje as nossas magrelas daqueles tempos. A diferença, além do trânsito N vezes menor, é que éramos obrigados a ter uma placa de idenfiticação, como têm as motos hoje, mas sem as letras. A minha era 346. SE fazíamos alguma bobagem, lá vinha advertência ou multa da Prefeitura, dependendo da gravidade ou reincidência.

Bem diferente daqui, nesta querida e tão maltratada Paulicéia.

Hoje o ciclista, com apoio do prefeito Topete, se acha o dono das ruas, com ou sem ladeiras. Na segunda-feira, dia seguinte a comemorada inauguração da ciclovia da avenida Paulista, vi três ciclistas usando a via exclusiva, mas sem obedecer ao semáforo para pedestres, mas parando, por razões da física, nos semáforos que controlavam o cruzamento de veículos automotores. Tinha um fiel vigilante da CET ali, para coibir abusos? Qual o que! Os ciclistas deseducados não têm limites. Usam faixas de segurança, andam sobre as calçadas. Fazem o que querem. São minoria, mas ninguém coíbe seus abusos.

Quando acontece um acidente entre as partes, o motorista do veículo pé sempre o culpado. Sempre!

Não tem jeito, não importa o que aconteça, o ciclistas é sempre a vítima. Ninguém busca a verdade, seja ela de que lado estiver. E só aparecem testemunhas para dizer que o motorista fez de propósito, que queria matar o ciclista etc etc. Mesmo que o cara da byke tenha passado no sinal vermelho, ou surgido do nada no meio da rua, vindo na contramão. E, tudo isso, muitas vezes em bandos.

E, ai de ti, Jurandir, se for envolvido em acidente com um deles. Ai de ti.

Diante do exposto, pergunto: o que vai acontecer ao ciclista, quando um desses irresponsáveis – não são todos claro! – estiver andando em alta velocidade sobre a calçada, na mão inversa da rua e atropelar, mortalmente, uma idosa, a mais querida da vizinhança e, ainda por cima, avó, por exemplo, do prefeito, ou do presidente da Câmara, ou do Juiz, ou do delegado? Vai ser notícia de destaque no JN, no da Band, o Datena vai exigir cabeças etc e tal.

Acontece que, como um mau cidadão, ele vai fugir da cena do crime e dai surgirão as testemunhas: era uma bike preta e um ciclista loiro, sarado; não era um moreno, numa enorme bicileta azul; eu que vi, era uma moça, com cabelo cacheado, a bike tinha uma cestinha na frente. Era … era … era …E, como bicicleta hoje não tem identificação, restará aos amigos e parentes chorar pelo morte precoce da querida vovó.

Mas daí vai surgir o defensor de plantão dos ciclistas: mas por que a velinha não olhou para os dois  lados?

E vão sair, todos pelados, pela Paulista, exigindo que os idosos sejam alertados para que olhem sempre para os dois lados da calçada, antes de sair de casa.

 


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