Coluna “Vamos nos divertir?” – Por chico lelis

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Testando pistas sem sair do lugar

 

Você sabia que é possível dirigir em qualquer rua, avenida ou estrada em todo o mundo, sem que o carro que você ocupa rode um metro? É possível sim! Basta que você siga pela via “Four Poster” para andar pela estrada de terra, com 26 km, que liga, por exemplo, Cambuí a Gonçalves, no sul de Minas Gerais; a Rio-Santos, com seus quebra-molas; a rua Groenlândia, nos jardins, em São Paulo, com todas as suas imperfeições, ou uma estrada qualquer no interior/sertão do Brasil. Até a rua da sua casa.

A via “Four Poster” é um simulador de rodagem. Você coloca leitores de pisos em um carro para que ele percorra os pisos que você quer testar. Estes registram todos os movimentos da suspensão passando por quebra-molas, buracos, ondulações, freando forte, paralelepípedos, mata-burro ou qualquer outro tipo e passa para a máquina que repete, sem falhas, quantas vezes for necessária para testar o modelo desejado, que deve ser o mesmo usado nas “gravações”. E você, de olhos fechados, sente-se passando por todos eles.
Ford Experience_24

A  via “Four Poster” é um dos equipamentos que a Ford mantem no seu campo de provas, em Tatuí, por onde seus modelos já foram testados por 250 milhões de quilômetros, em 37 anos do campo, inaugurado em 1978. Além desta pista “fixa”, existem 50 km de outras, onde são realizados mais de 100 testes de desempenho, consumo, ruído, emissões e suspensão, entre outros. Algumas são especiais, para desenvolvimento e durabilidade, que submetem os veículos a dificuldades extremas, para acelerar seu ciclo de vida. Algo como, em poucos quilômetros vencer mais de 100 mil deles.

Entre os testes, está o de som e ruídos, que trata até mesmo do bater das portas. Um equipamento que simula ou ouvido humanos, registra todos os sons, localizando-os milimetricamente, para que eventuais problemas possam ser corrigidos.

Nestes 37 anos de existência de Tatuí, já passaram por lá (agora, puxem pela memória) o Corcel II, o Landau (carrão que muitos ainda adoram), a Pampa, primeira picape nacional derivada de automóvel (Corcel II), Escort, o primeiro brasileiro global da Ford; Royale e Versailles, derivados do Santana e da perua (como eram chamadas as SW) Quantum, modelos VW, dos tempos da Autolatina (empresa que reuniu VW e Ford na América Latina), F100, F1000, F250 e caminhões Cargo. Entre os modelos atuais, o Ka, Focus, Fiesta, EcoSport e segmento comercial.

 

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Bola de cristal circense

 

Quando Henry Ford, na década de 20, no século passado, lançou o seu famoso Ford T, produzido em uma linha de montagem revolucionária para a época, o “Spartacus Circus”, que circulava pela Europa, apresentou a versão chinesa do carro. O confortável “Chinese Ford” foi apresentado em 1923 e não nos dias atuais. Isto mostra como os palhaços, além de engraçados, (sempre) foram visionários, conseguindo antever a capacidade da China em produzir “clones”,  ainda que sem a qualidade do produto original (tal e qual acontece nos dias de hoje, quase um século depois). As fotos foram publicadas no belíssimo livro “The Circus”, mostrando a maravilhosa vida circense, em várias partes do mundo, entre 1870 e 1950, de autoria de Noel Daniel e editado pela Toschen, que edita outros belos livros sobre os mais variados temas.

Onde encontrar este livro? No Hotel Fasano Boa Vista, tão encantador e fascinante quanto o livro, em Porto Feliz, distante 100 km de São Paulo, pela rodovia Castello Branco. Vale apena conhecer a ambos.

 

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GM e seu presidente corintiano

 

Nestes tempos complicados para a General Motors do Brasil, que enfrenta sérias dificuldades, tendo que, lamentavelmente ,demitir e  baixar preços de muitos de seus produtos e com greve em sua unidade de São José dos Campos, vamos voltar alguns anos na história da montadora para contar um curiosa história de um dos seus maiores presidentes, Joseph Sanchez (depois dele, Mark Hogan e Rick Wagoner, os dois gringos mais brasileiros que conheci.)
Quando era repórter de Economia da minha querida Sucursal de O Globo, em Sampa, fui fazer uma entrevista com o então presidente da GM, Joseph Sanchez. Era uma segunda-feira qualquer de 1982 (será mesmo?) quando entrei em sua sala.
Lá estava aquele “gringo”, mais de 1.90 m. de altura, olhos claros e sorriso cativante, trajado rigorosamente como um executivo de multinacional: gravata, camisa branca, terno escuro. Mas havia um detalhe nele que me fez pensar: “êta ‘gringo’ doido!” Ele vestia, sob a camisa branca, fina, quase transparente, uma camiseta do Timão, que havia goleado o São Paulo (mas não o meu querido Santos F.C.) no domingo.

 

escudos do corinthians

 

Ele era corintiano fanático, que frequentava o Morumbi nos dias em que seu time jogava (naquele tempo o São Paulo não tinha feito a bobagem de brigar com os outros times paulistas e ainda, claro, não existia o Itaquerão), sempre acompanhado de seu fiel escudeiro e amigo, Romeo Neto, que durante muitos anos comandou o Departamento de Relações Públicas da GM.
Sanchez deixou a GM Brasil antes que eu fosse trabalhar na GM. O seu carisma foi confirmado pela homenagem que nós, jornalistas do setor na época, prestamos a ele na sua partida. O convidamos para um almoço – era sempre ele quem fazia isso – e lhe demos uma bandeira do Corinthians, assinada por todos nós.
Ele foi ser presidente da Oldsmobile, nos EUA e depois da Saturn, que hoje não existe mais, como outras fábricas da GM no hemisfério norte. Anos após este almoço, fui trabalhar na GM e acompanhei um grupo de jornalista a um jantar na casa dele, em Lansing, Michigan (EUA) e lá estava, a bandeira do Corinthians, enquadrada e pendurada no lugar de destaque da sala: sobre a lareira.
Além do Timão, Sanchez tinha um outro prazer na vida, adorava provocar Wolfgang Sauer (ambos já nos deixaram), presidente da montadora imbatível naqueles tempos, a Volkswagen. Vivia dizendo que a GM iria ultrapassar a VW e assumir a liderança no mercado brasileiro. Era mesmo pura provocação, já que a sua marca não tinha, na época, a menor chance por uma razão muito simples: faltava-lhe capacidade de produção.
Mas o filho de imigrantes espanhóis – daí o Sanchez – queria mesmo era provocar. E, quando ambos se encontravam, davam muitas risadas porque, em geral, todos os jornais publicavam a “brincadeira” do Sanchez.


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