Histórias & estórias – Por chico lelis

 

 

A monumental entrada de Versailles

O lindo jardim, que inspirou o do Museu o do Ipiranga, em São Paulo

Foi uma bela viagem à França, com passagem pela Inglaterra e Itália, lá pelo início dos anos 80. Éramos em quatro. Eu e três moças. Paris é realmente uma festa. Uma em cada esquina, com todas as luzes que justificam seu “apelido” de Cidade Luz.

O Louvre mostrou sua força com um acervo realmente esplendoroso. Ainda não tinha a pirâmide. Mas foi no Museu Jeu de Paume (que até 1986 abrigava pinturas dos impressionistas), que encontramos obras do meu pintor preferido, Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa, que com sua arte mostrou a beleza da noite parisiense. Fomos a muitos cantos da cidade, sempre usando a sua fabulosa malha metroviária. Tudo uma delícia, muito embora tenhamos enfrentado o que não se possa classificar como bom humor dos parisienses. Em viagens posteriores ao interior França, descobri que o mau humor é uma característica do povo da Capital.

 

Um luminoso interior

Por falar em mau humor e grosseria, não posso deixar de falar de um episódio ocorridos após a nossa visita ao palácio de Versailles, um lugar realmente espetacular. E lembrar que ele começou como um simples Pavilhão de Caça do rei Luís XIII. Mas seu filho, Luís XIV fez uma grande reforma, transformando-o na moradia da realeza, pois ele queria fugir da “muvuca” que tomava conta de Paris. Então, a partir de 1682 e durante alguns anos, o Châteu de Versailles foi a sede da realeza francesa.

Pois fomos lá, visitar aquela beleza. Um detalhe, quando entramos no Metrô que nos levaria à conexão com o trem (RER – Reseau Express Regional) para lá, um gatuno levou a carteira com o dinheiro de uma das moças. Felizmente só o dinheiro se foi. Alguns francos franceses para as despesas do dia. Na época, nem se sonhava com euros. Fomos em frente. Visitamos e adoramos.

Na volta, ao comprar os bilhetes para o RER, minha amiga, que fala fluente francês, teve uma prova do mau humor e grosseria do funcionário da bilheteria. Ao verificar que o homem havia dado um troco muito, mas muito maior, do que devia, ela voltou ao guichê. dizendo que ela havia errado no troco.

– Verificasse na hora, não aceito reclamação depois.

E saia daqui!

Surpresa, a minha amiga respondeu com delicadeza:

– “Monsieur, Vous vous souviendrez de moi aujourd hui quand vous fermerez la caisse à la fin de la jounée”.Tradução: O senhor vai se lembrar de mim quando fechar seu caixa no fim do dia.

Deve ter lembrado – e deve se lembrar até hoje – porque seu troco foi o suficiente para pagar as refeições, de nós quatro, por dois dias.

Sem contar uns troquinhos para o cafezinho.