Nanico é uma alternativa nacional

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A Nani Car Indústria Automobilísticas, dos sócios Caio Strumiello e Paulo Roberto, trouxe uma novidade para o universo automotivo brasileiro. A dupla é responsável pela criação do mais novo microcarro nacional: o Nanico Car. O micro, de 1,90 m de comprimento e 242 kg, tem motor de scooter de 125 cilindradas, 16 cavalos de potência máxima a gasolina e câmbio de quatro velocidades. Há também a opção do motor movido a GNV (Gás Natural Veicular), que desenvolve 12 cavalos. O pequeno pode alcançar até 80 km/h e, segundo os sócios, tem um consumo médio de 30 km/l. Um tanque é capaz de armazenar até quatro litros, dando uma autonomia média de 120 quilômetros. Quinze unidades teste do modelo já foram fabricadas, artesanalmente, em São Paulo.

O designer Strumiello e seu sócio Paulo Roberto, físico, pretendem desenvolver uma versão elétrica do Nanico. A ideia é produzir um motor de 7,5 kW, com velocidade média de 80 km/h, autonomia de 300 quilômetros e com possibilidade de recarga por luz solar, além da recarga por tomada.

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Apesar da novidade, o Nanico não é o primeiro da história. Outros projetos brasileiros já foram criados antes, como é o caso do Aruanda, em 1963. O design do conceito foi feito pelo brasileiro Ari Antônio da Rocha, com propósito de resolver os problemas de tráfego das grandes cidades. O modelo tinha um motor de 20 cv de potência, câmbio de quatro velocidades e chegava a velocidade máxima de 100 km/h, consumindo, em média, um litro a cada 20 quilômetros percorridos.

Aruanda

Outro modelo que entra nesse grupo é o Gurgel Itaipú, de 1975, com design produzido por João Amaral Gurgel Neto. O modelo foi considerado o primeiro veículo elétrico fabricado na América Latina. Ele tinha formato de trapézio e a carroceria era feita de fibra de vidro, o que dificultava o enferrujamento. O Itaipú tinha 2,65 m de comprimento e capacidade de transportar até dois passageiros. O motor de 3,2 kW, equivalente a mais ou menos 4,2 cv, fazia o protótipo chegar a velocidade máxima de 50 km/h. A autonomia média era de 70 quilômetros com carga total. O ponto negativo era o tempo de recarga, já que precisava de 10 horas para completá-la.

Gurgel Itaipu

Mais recentemente, João Alfredo Dresch criou o micro elétrico JAD. O aposentado teve a ideia após uma viagem à Itália. Com investimento de R$ 40 mil e cinco anos de desenvolvimento, o JAD possui motor equivalente a cinco cavalos de potência, com velocidade máxima de 70 km/h, poluição zero e não ultrapassa os dois metros de comprimento.

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Por diversos motivos, como a falta de incentivo – já que o combustível fóssil era farto e não havia necessidade da utilização de elétricos –, o alto preço dos modelos e a falta de conscientização sobre emissão de poluentes, o Aruanda e o Gurgel Itaipú não tiveram sucesso no Brasil, o segundo não teve nem mesmo a produção iniciada. O Nanico Car, no entanto, pode, ainda esse ano, mudar essa história. O modelo deve estacionar sua fábrica em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Os sócios estão ajustando os últimos detalhes do negócio com a prefeitura da cidade, que segundo Paulo Roberto, prometeu um terreno fora do perímetro urbano para a construção dessa fábrica. Além disso, seria oferecida uma redução nas alíquotas de ICMS e ISS e um investimento inicial de R$ 8 milhões.

A planta, que deve ter sua construção iniciada 60 dias após a assinatura do contrato, com duração média de seis meses, terá capacidade produtiva inicial de 500 unidades mensais, dependendo, claro, da demanda, e poderá gerar cerca de 100 empregos diretos para região.

(Por Pedro Massari)


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