Porsche GT3: 20 anos de pura emoção

Quase todo o apaixonado por automóveis, tem na marca alemã Porsche uma referência. E no modelo 911 o máximo da paixão. Há 20 anos a Porsche aproveitou o Salão de Genebra para apresentar o 911 GT3. O modelo, assim como o RS e o Carrera, logo se transformaria num sonho e ganhariam mais uma legião de apaixonados.
Baseado no GT1, a Porsche Motorsport, departamento de competições da marca alemã criada por Ferdinand Porsche, desenvolveu o GT3. Era o primeiro carro de corrida de verdade com o direito de andar nas ruas e nas estradas de todo o mundo. O desenvolvimento foi liderado pelo piloto bicampeão mundial de rali Walter Röhrl e o engenheiro de corridas da Porsche, Roland Kussmaul. O modelo GT3 de competição disputam em todo o mundo as categorias de superesportivos GT3, a Endurance e a Porsche Cup, com poucas alterações em relação ao de rua.
Além de fazer bonito na GT3, o modelo conta com inúmeras vitórias, como nas 24 Horas de Spa, 24 Horas de Daytona e 24 Horas de Nürburgring, vencendo esta última por nada menos que sete vezes desde o ano 2000. O Porsche 911 RSR, que triunfou nas 24 Horas de Le Mans em 2018, também foi inspirado no 911 GT3. E o mais interessante é que todas as alterações que vão sendo feitas no modelo nas pistas, são transferidas para o modelo de rua.
No Brasil, a marca já vendeu mais de 30 unidades por algo em torno de R$ 1.300.000,00.

Puro sangue

O GT3 lançado em 1999 tinha motor boxer (cilindros opostos) arrefecido a água de 3,6 litros e seis cilindros produziam 360 cavalos a 7.200 rpm – ou, precisamente, 100 cavalos por litro – e demonstrava sua força com um torque máximo de 370 Nm a 5.000 rpm. Esse propulsor fazia que o GT3 chegasse a 302 quilômetros por hora e acelera-se de 0 a 100 km/h em apenas 4,8 segundos e de 0 a 200 km/h em 15,8 segundos. Com esse modelo o piloto Walter Röhrl completou no lendário circuito de Nordschleife, em Nürburgring, a volta pelos 20,8 quilômetros em menos de oito minutos, estabelecendo um novo parâmetro para carros esportivos habilitados para o uso na estrada.
Para atender às altas exigências das pistas e garantir não apenas uma dirigibilidade precisa, mas também um alto grau de segurança, o chassi foi rebaixado cerca de 30 milímetros e a suspensão foi fortemente enrijecida. Os estabilizadores e molas de competição também podiam ser regulados conforme as características de cada pista e a geometria dos eixos, modificada para aceitar pneus de corrida. Ao mesmo tempo em que davam prioridade a componentes de baixo peso, trabalhando com vidro mais fino e materiais sintéticos e eliminando todos os itens de conforto ao projetar o 911 GT3, os desenvolvedores também instalaram freios maiores que os dos 911 Carrera, com reforços adicionais. Os freios foram redimensionados para atuar nas ruas e pistas.
Mantendo-se fiel à tradição RS, o visual do Porsche 911 GT3 se assemelhava fortemente ao do Porsche 911 Carrera. As origens do carro como veículo de corrida eram evidenciadas por saias laterais, aerofólio fixo, pinças de freios vermelhas e rodas de metal leve com 18 polegadas e design esportivo. O piloto sentava num banco tipo concha com forração de couro e o banco traseiro foi eliminado para reduzir o peso. Se se deseja o comprador podia pedir que o carro já viesse com santo Antônio (gaiola anticapotagem aparafusada à carroceria), forros dos bancos com tecido resistente ao fogo e um interruptor mestre da bateria. O proprietário podia sair direto da concessionária para a pista de corrida.
Ao longo destes 20 anos, o Porsche GT3 ganhou muitas melhorias mecânicas e de design, mas não perdeu o conceito inicial. Um carro de pista que pode andar na rua. A sexta geração do Porsche 911 GT3, que também foi lançada no ultimo Salão de Genebra, manteve o motor boxer de seis cilindros, mas sua cilindrada foi aumentada para quatro litros, permitindo chegar a uma potência máxima de 500 cavalos a 8.250 rpm. O torque máximo também teve uma melhora de 460 Nm a 6.000 rpm. O câmbio deixou de série a transmissão manual e ganhou uma “automática” de dupla embreagem com sete velocidades, e com escalonamento feito para competições. O novo 911 GT3 teve um a radical melhora nos números e ficou ainda mais rápido. De 0 a 100 km/h caiu para 3,4 segundos e a velocidade máxima aumentou para 318 km/h. Agora atendendo aos puristas, que torceram o nariz com algumas mudanças, a marca alemã permite que o “chato” encomende o seu GT3 com uma transmissão manual de seis velocidades. Essa alteração muda para mais, em meio segundo a aceleração de 0 a 100 km/h. Porém o carro fica mais rápido: 320 km/h.
A tecnologia aumentou muito. O esterço ativo do eixo traseiro, bloqueio do diferencial traseiro e a montagem dinâmica do motor proporciona agilidade, estabilidade e uma precisão na condução. O equilíbrio desse verdadeiro bólido é garantido pelo aerofólio de fibra de carbono e novos elementos de baixo peso.
No interior, os pilotos agora contavam com o volante esportivo GT com 360 milímetros de diâmetro e três opções de bancos: modelos Sport Plus com ajuste elétrico total; bancos esportivos em concha com encosto dobrável e airbag torácico integrado; e bancos em concha feitos de plástico reforçado com fibra de carbono (CFRP) com acabamento em tecido de carbono.
Com o Gerenciador de Comunicações Porsche -PCM, além do GPS com notícias do trânsito em tempo real, através do aplicativo Porsche Track Precision, que pode registrar e passar estatísticas de pilotagem detalhadas num smartfone para melhorar a performance em pista.


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