Entre reis e yankes


Vai começar o mais importante fim de semana para o automobilismo mundial, é o domingo aonde são disputadas as duas mais importantes corridas do planeta: o GP de Mônaco pela Fórmula 1 e as 500 milhas de Indianápolis pela Fórmula Indy. Dia excelente para se ficar em casa e acompanhar desde a manhã até o quase fim de tarde esse dois eventos, que na verdade tem um grande glamour e quase nada representa em termos de campeonato. São duas maneiras diferentes de se ver corrida de automóvel em solos que são considerados quase sagrados por todos que acompanham esse esporte.

Em Mônaco, rola solta a bebedeira e a gastança no cassino, os ricos e os picaretas se misturam de uma forma quase imperceptível aos olhos de que chega pela primeira vez a esse principado. É seguramente a maior concentração de picaretas do mundo, maior que essa talvez apenas em alguma mina de carvão na Rússia. Ninguém ali esta preocupado com a corrida, o barato é dar um chapéu em algum rico desavisado e tomar muito champanhe, que corre solto em vários eventos na semana da corrida, e tirar fotos para mostrar pros amigos o quanto você é fodão, mesmo que esteja pagando a passagem em 70 vezes e dormindo em uma van fora da cidade. Nem mesmo os profissionais que trabalham para as diversas mídias nem mesmo os prestadores de serviço levam essa corrida muito a sério, o objetivo é a festa.

Quem encara com outros olhos são os engenheiros e mecânicos das equipes, esses sim tem que se virar com uma cocada e uma Maria-mole. A prova não vai mudar em nada o campeonato, nem melhorar ou ao menos ajudar no desenvolvimento dos carros, é uma exibição exclusiva para um país que tem uma área de 2 quilômetros quadrados, menor que alguns bairros da cidade de São Paulo. Nas ruas mesmo, vai valer a máxima do quem sai na frente e troca menos pneus ganha, até porque em termos de disputa pouco ou quase nada se vê. Corrida para valer o imposto pago por vários pilotos que ali moram.

Atravessando o atlântico, nos deparamos com o gigante Indianápolis Motor Speedway, que deve abrigar em sua área uns três principados de Mônaco. Lá acontece corrida de verdade, apesar de algumas pessoas acharem que essa coisa de circuito oval é muito chato. Indianápolis separa os pilotos dos motoristas, reflete o verdadeiro espírito americano de terra das oportunidades e da competência acima da probabilidade. Quem corre as 500 milhas tem por objetivo, além de um caminhão de dinheiro, fazer parte de uma história contada desde 1909. São mais de 100 anos de disputas, criaram-se heróis e mitos, sente na pele a verdadeira arte por corridas, hoje ecologicamente corretas porque, a vários anos, a categoria tem como combustível o álcool.

Os tijolos da primeira pista são preservados na linha de chegada assim como o museu que abriga tudo que aconteceu nesse mais de um século de voltas que o mundo deu por aquelas bandas.

Em termos de campeonato é mais uma corrida, mas é na verdade “A” corrida. Diferentemente de Mônaco que nada acrescenta, Indianápolis segue o padrão americano de sempre melhorar para conquistar, deve a partir de agora alinhar os pilotos que tem chance de ser o campeão da temporada.

Vou ficando por aqui, claro que vou acompanhar as duas corridas e torcer pelos pilotos que mais admiro, mas com uma pontinha de inveja dos europeus e dos americanos. Eles guardam e preservam a memória dos seus heróis e suas conquistas, duvido que um dia seriam capazes de destruir um autódromo para fazer uma pista de bicicletas com a anuência da confederação que administra o esporte do país.

A gente se encontra na semana que vem!

Beijos & queijos

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