Coluna “De carro por aí” – Roberto Nasser

Nasser
Coluna1114 12.Mar.2014                                       
        

 

JAC T8, o primeiro carro da Copa

Ano de turistas, veículos para atende-los. Parece a motivação do importar o JAC T8 – T de transporte, 8 dos usuários. Com ele a montadora chinesa por seu sócio brasileiro quer disponibilizar deslocamento confortável a hóspedes de hotéis e pousadas, meio termo entre automóveis e as vans diesel Mercedes Sprinter e Fiat Ducato, líderes no segmento, maiores, mais caras.

O mercado já o apelidou pelo engenheiro/jornalista Josias Silveira: Jacão – JAC grande, coerente com seus 5,10m de comprimento – candidato a suprir o ocioso espaço do fim do utilitário VW.

A JAC o classifica Multivan, como o faz a marca alemã com o sucessor da Kombi, o T6 – transporte, 6ª. geração… Nada a ver com a extinta. É maior, espaçoso, tratado com identificação em automóvel: tapetes felpudos, revestimento interno em couro, bancos individuais à frente, na segunda fila, aí poltronas girando 360 graus. Confortáveis, teto solar a servi-las. Exibe o DNA chinês, de pouca vivência no setor. Virados para trás, os cintos de segurança não funcionam, inviabilizando seu uso. Ao fundo, na cozinha, banco único, encosto não reclinável, cinto abdominal para o passageiro central. 2ª. classe.

Outro item clama por re projeto, a rumorosidade do motor/hélice do radiador, dá o tom sonoro na cabine.

Bom ar condicionado, motor quase forte – 2.0, 16 válvulas, turbo, 175 cv a 5.400 rpm, e 26,5 m.kgf de torque, porém surgidos a mais de 4.000 rpm, pouco responde em baixas rotações, exige condução como se fosse carro 1.0 – mudanças de marcha com motor a mínimos 60% da faixa vermelha. Transmissão mecânica, 6 velocidades, freios a disco sólido nas 4 rodas.

Para o tipo de uso, vai-se bem, dentro das limitações do projeto. O ideal é não deixar cair de 120 km/h para te-lo em última marcha. Fora isto, subidinhas exigem troca troca, de 6a. para 5ª. e desta para 6ª., e volta, e continua. O motor de automóvel para puxar utilitário com mais de duas toneladas entre peso próprio, passageiros e bagagens exige atenção. A relação de marchas mereceria ser melhorada. Também, o train boulandeur, francês abrasileirado para Trambulador – o conjunto de acionamento da alavanca ao console para engrazar as marchas. É impreciso, voluntarioso, exige ser servido com atenção. Deviam ter copiado o da Kombi …

Suspensão frontal macia, traseira por eixo rígido, porém desacerto de agendas entre as duas, impede comportamento harmônico.

Vai ? Vai !

Não tenha dúvidas, venderá. É mais confortável e barato que as vans diesel, exigindo ser equipadas para igualar-se – e aí a diferença de preço aumentará. Item de conter custos, por peso e lotação dispensa a carteira C – qualquer pouca prática estará legalmente habilitado à condução, incluindo o jardineiro, o

recepcionista, o quebra galhos da pousada ou do hotel. Entrega bom pacote por R$ 115 mil, equipada – mas falta GPS no painel. Aplicação turística exige.

Regulagem

A indústria do automóvel na China nada cria. Copia, se apropria, compra soluções, como o motor. Mas o tempo de atividade e o jeito de fazer não permitem depurar, sedimentar, aprender. Assim, há inconvenientes não mais encontráveis em veículos de outros países de atividade tradicional.

Bobagens simplórias, de fácil solução por meia dúzia de engenheiros brasileiros: da Honeywell dos turbos; da Fiat para o isolamento termo acústico e o diálogo das suspensões; da Renault ou PSA na harmonia das marchas relativamente ao motor; e algum aposentado da Volkswagen – ou o nunca lembrado engenheiro Ângelo Gonçalves, fundamental na implantação de nossa indústria, criador do trambulador para o Brasinca/Uirapuru, para acertar o engate de marchas.

Carros chineses exigem generosidade para ser considerados. Ficarão bons, seguros, competitivos, mas o diabo é o tempo para esta evolução.

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Jacão
, o JAC T8, transporte turístico

Alfa 2300, 40 anos, na estrada

Pergunte a um Alfista e ele dirá: nunca o Brasil teve um carro tão bom de estrada como o modelo 2300. Exclusividade nacional, harmônico, foi o primeiro nacional com freios a disco nas 4 rodas, transmissão com cinco marchas e sincronizadores Porsche. Estável, bom de freios, uma classe à parte em meio a projetos antigos como Chevrolet Opala, Dodge Dart, Ford Galaxie. Durou pouco, de março 1974 a janeiro 1987. A Fiat comprou a Alfa e no Brasil sem intimidades com carros grandes, optou encerrá-lo.

Alfistas, em especial os associados ao grupo Alfa Romeo Br e ao virtual clube Alfa Romeo MG, farão viagem com o estradeiro 2300 para comemorar e, no 25 de março estarão em Xerém, pé da Serra de Petrópolis, imponente instalação industrial onde iniciou ser feito. Dois dias após, visita à fábrica Fiat, em Betim, MG, de onde saíram as últimas unidades.

Apoiam entidades italianas como Automobilismo Storico Alfa Romeo, a Enit Agenzia Nazionale Del Turismo, e o Museu Nacional do Automóvel, de Brasília.

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Logo dos festejos com Alfa 2300


Roda-a-Roda

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DS, da Citroën, pode virar marca Premium

Outra – Carlos Tavares, português, ex quase sucessor na liderança da Renault e iniciando dirigir a concorrente PSA/Peugeot-Citroën, quer criar nova marca Premium. Será a DS. Agradou-se destes produtos especiais da Citroën.

Próprio – Para novos clientes, novo Jaguar, o XE. Menor, porte de BMW series 3, Audi A3, Mercedes C Class. E estrutura monocoque e carroceria em alumínio, buscando menor peso, melhor resultado dinâmico, consumo, emissões.

Motor – Deixa os Ford – a quem comprou a marca – por propulsores de projeto e lavra própria, os Ingenium, com peças intercambiáveis entre gasolina e diesel. Presumidos quatro cilindros, turbo, muito torque, superiores aos 2.0, 4 cilindros, 240 cv da Ford, equipamento de Fusion e Land Rover Evoque.

Mais – Dito o mais refinado dentre os sedãs médios, verdadeiro Jaguar, foge da imagem do modelo X, bom em performance, mas apenas um Mazda com decoração Mazda –, a pobreza foi-lhe letal. Detroit, janeiro, 2015.

Novo – Maior, mais largo, mais caro. A nova geração do Corolla cumpre o descrito pela Coluna – continua careta na opção pela versão europeia, desconsiderando a norte americana, mas atrevida. Oito centímetros maior em comprimento, dez em entre eixos, 1 cm mais largo. Motores idênticos os anteriores, 1.8 e 2.0, flex, 4 cilindros, 16 válvulas, porém com os comandos com abertura variável.

Ganho – Além de mais espaço interno, o rendimento melhorará com a adoção de transmissões mais atualizadas, manual com seis velocidades, ou continuamente variável, dito CVT, com sete posições. Preços crescem: 1.8 manual, simples, R$ 66,5 mil. Topo de linha, 2.0 Altis, automático, R$ 93 mil.

E ? – Aumentos, inexplicáveis, uns R$ 1,8 mil na versão básica e R$ 6,2 mil de topo. Mas faz parte. Apressadinhos pagarão tabela cheia e, logo após, vendas cairão e fábrica dará bônus aos revendedores para repassar aos compradores.

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 Novo Corolla – carola. Grade parece cruza de Honda com Hyundai

Menos – Produção de veículos recuou 2,7% no primeiro bimestre de 2014, causas locais e a queda nas exportações para a Argentina onde o pânico de caixa tenta segurar a exportação de dólares – sem pagar as compras.

Mais – Porém o bimestre foi o melhor da história em licenciamentos: 571,9 mil unidades, expansão de 4,6% em relação a período igual em 2013.

E mais – Fevereiro, novo recorde na Audi Brasil: 1.115 vendas. Para noção, em dois meses de 2014, 2.224 – ano passado 6.600. Neste quer 10 mil. A gestão de Jörg Hoffmann marca-se por intensa propaganda, preços contidos, motivação da rede de revendedores, esforço para criar parque circulante com a marca, preparando início de produção do A3 Sedan para 2015.

Resultado – A pró atividade da Audi neste segmento – de maior venda de marcas Premium – instiga a BMW. Começa campanha na TV, focando no Série 3, concorrente do Audi A3. Falta a Mercedes promover o Classe C.

Número – Indústria do automóvel em mercados sedimentados sonha com 5 a 7% de lucro final. Sergio Marchionne, CEO da FCA – Fiat Chrysler Automobiles -anunciou fazer o jipinho Renegade em Pernambuco e disse, no primeiro ano a Fiat no Brasil voltará aos lucros de dois dígitos. Quebrou o argumento setorial de décadas: fazer carro no Brasil mal paga as contas. Paga bem.

Justiça – Governo Federal cobra R$ 2M da CN Auto, importadora, e de Washington Armênio Lopes, fundador da Asia Motors no Brasil, multa sobre os incentivos aplicados aos veículos e à nunca cumprida promessa de construí-los no país. A Asia lançou duas pedras fundamentais e nada fez.

Kia – Supremo Tribunal Federal e tribunal internacional decidiram, a Hyundai, assumindo a Kia e a Asia, nada tem a ver com o assunto. A Asia dos incentivos era empresa nacional. A CN tem/teve ligações com Armênio, e aplica aos importados chineses Jinbei, as marcas da antiga Asia: Towner e Topic.

Agora vai ? – Indústria, academia e capital visam permear ao álcool o ganho de tecnologia dos motores a gasolina. Duplo comando variável de válvulas, injeção direta, turbo, mudaram regras. Creem, o álcool melhor aproveitará.

História – Eng Ronaldo Salvagni, da Escola Politécnica da USP, diz, é urgente o país renovar a tecnologia dos motores a álcool: “O que temos hoje é gambiarra. Um motor adaptado”. Desenvolver esta tecnologia motivará produzir e exportar etanol. O CTA, Centro Técnico Aeroespacial, nos anos ’80 iniciou desenvolver motor V8, a álcool, para trabalho. Mas forças ostensivas cortaram o projeto.

Ocasião – Dia 18 motor a álcool e uso de turbo serão pontos quentes do Seminário Internacional de Biocombustíveis, S Paulo. Pode ser luz no caminho.

Usados – Estudo da DEKRA, multi alemã de serviços ao setor automotivo, indica, nos maiores mercados mundiais os ponteiros do mercado se mexeram: usados subiram 3% em vendas e novos caíram 15%. No Brasil, em 2013, usados mais 4,7%, novos menos 1,6%.

E ? – Diz, condições externas – desaceleração da economia, dificuldades de crédito, aumento de impostos – serão oportunidade no comércio de usados. Rentabilidade aumentará, mas condicionada a gestão profissionalizada no setor.

Coerente – Governo do Rio Grande do Sul quer ser sócio da Foton, marca chinesa de caminhões representada no Brasil pelo ex ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros. Além das benesses de terreno, terraplanagem, instalações, aplicaria R$ 48M no negócio – uns 20% do capital.

? – Injustificado. Dinheiro oficial apenas quando o estado precisa atrair atividade multiplicadora como a indústria automobilística – marca principal, fornecedores, estoques, prestadores de serviço. Não é o caso. Ao contrário, a indústria de transportes é fortíssima no RS, e a nova empresa concorrerá com outros fabricantes – International, Agrale – lá instalados sem socorro do oficial.

Companheiros – Para lembrar, a economia do RS mingua, e o PIB do estado é a metade de sua dívida. A fábrica seria em Guaíba, onde a Ford não foi porque outro governo petista não conseguiu entender a operação e os desdobramentos de empresa de tal porte. Foi-se à Bahia.

Outra – A CNHTC, outra chinesa de caminhões e aqui Sinotruk aprontou projeto de sua fábrica em Lages, SC, e iniciará terraplanagem em 60 dias. Quer montar série inicial, com peças importadas, até setembro de 2015 e operação plena em 2016. Investimento de R$ 300M – sem participação do estado.

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Retrovisor Nissan muda os parâmetros

Retro – Apresentado no Salão de Genebra, o retrovisor inteligente soma tela de LCD e espelho tradicional. Vantagem, imagem clara mesmo em condições adversas. Estreia nas 24 Horas de Le Mans, em Nissan híbrido elétrico.

Nos dedos – Ford leva o Novo Mustang – em festa e promoção mundial – às vitrines e à moda, por série de esmaltes para unhas da marca OPI, da Coty no tom Race Red, famosa cor dos Mustang. Curioso imaginar vermelho associado à Ford. No mundo lembra marcas italianas, Alfa e Ferrari…

Tecnologia – Para aumentar o tempo de vida das bombas de combustível de sua produção, a Gilbarco Veeder-Root substituirá chapas de aço carbono por outras em alumínio fornecidas pela Alcoa. Bombas em postos litorâneos durarão mais e o alumínio no Brasil bate recorde em reciclagem.

Fórmula 1 – Temporada começa domingo e, pelas novas regras, categoria funcionando como laboratório de desenvolvimento de tecnologias, tudo pode acontecer. Exemplo, a Renault, dominando por temporadas, não acertou seus motores e com eles, a RBR de do tetra campeão Seb Vettel não conseguiu fazer os carros andar, apesar de seus chiliques. Texto didático, primoroso, em http://autoentusiastas.blogspot.com.br/2014/03/conversa-de-pista_11.html

Gente
– Antônio Calgagnotto, executivo, gaúcho, progressão.
Deixou a diretoria de Relações Institucionais da Renault, pousou na Unilever. Mais serviço:estratégia de comunicação, marca corporativa, relações governamentais. Ascende geograficamente: área de distribuição e Agrale no RS; Renault no Paraná; Unilever em SP.
-William Clay Ford, 88, executivo aposentado, último neto vivo de Henry Ford, passou.
Trabalhou na empresa familiar por mais de 50 anos, era o maior acionista individual, pai do atual presidente do Conselho, Bill Ford. Figura sóbria, respeitada, básica quando a Ford previu a crise estadunidense, antecipou-se, foi aos bancos. Palavra e garantias reais de Ford Senior foram fundamentais. Com caixa e plano a Ford sobreviveu.
– Valter Oliveira, o Valtão, de volta.
Aposentou-se na Mercedes, e convidado voltou, como consultor, treinador de nova equipe de comunicação em caminhões. OOOO
edita@rnasser.com.br  


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