Com muitas novidades, o Salão de Detroit continua uma referência

Especial Josias Silveira

Apesar de Detroit não ser mais a Capital do Automóvel nos Estados Unidos, seu Salão continua um termômetro da saúde financeira dos americanos. O NAIAS (North American International Auto Show) é sempre a primeira mostra internacional do ano, em meio à neve e ao frio do Michigan, bem ao Norte dos Estados Unidos, na fronteira com o Canadá. Aberto ao publico de 15 a 23 de janeiro, esta edição 2011 mostra a recuperação do setor desde o “fundo do poço” de 2009, em meio à crise financeira americana.
 Os números não mentem: mesmo com um 2010 otimista, foram apenas 18 lançamentos em Detroit, contra cerca de 40 agora em 2011. Para boa parte dos milhares de jornalistas internacionais que cobrem a mostra, só falta um ultimo sinal da recuperação  em Detroit: a volta da barraquinha de hot dogs Rhode Island no estande da GM, o que ainda não aconteceu este ano. Mas, continua o charme de se poder escrever vendo a neve caindo pela janela, algo difícil de se fazer no Brasil.

Carro do Ano

Mesmo sem hot dog, o Salão tradicionalmente abre para os jornalistas com eleição do Carro do Ano. E em 2011 os americanos foram patriotas, elegendo dois representantes das americanas Ford e GM. Para a Ford a honra ficou para o SUV Explorer, eleito Truck of the Year enquanto a GM ganhou o titulo de Car of the Year com o Volt. Em ambos os títulos, a votação também teve caráter ecológico: o Explorer, remodelado para 2011, não teve grandes mudanças estéticas, mas seu motor se tornou bem mais econômico. Os consumidores, ainda em crise, hoje julgam bem mais as despesas com combustível.
Já no Chevrolet Volt – que só veio para as ruas americanas em dezembro, após três longos anos de sua primeira aparição em Detroit – o recado ecológico foi ainda mais claro, já que se trata de um carro elétrico, como sugere seu nome. Aliás, coube aos jornalistas brasileiros o privilegio de ser o segundo grupo a testar o Volt, logo após os americanos. Rodamos quase 80 quilômetros com o Volt, um carro diferente de tudo que já se viu, no qual o motor 1.4 serve apenas para recarregar as baterias. A tração é sempre feita por um motor elétrico.
Aliás, esta tendência econômica e ecológica foi a tonica em Detroit entre quase todos os fabricantes, mostrando que os americanos finalmente se voltam para carros mais “europeus”, ou seja, menores e que gastem menos combustível. Tanto que o lançamento principal da GM foi outro carro pequeno, o Chevrolet Sonic, do porte de um Corsa, para ser um concorrente direto do Ford Fiesta. Algo inimaginável alguns anos atrás: dois carros pequenos das duas grandes americanas concorrendo nos Estados Unidos.
O Sonic não chega a ser uma novidade, pois se trata do Aveo, feito pela coreana Daewoo (do grupo GM). A inovação, além do rebatismo, está no fato de que agora vai ser feito nos Estados Unidos e no tamanho de seus motores quatro cilindros, de 1.4 e 1.8 litro, uma mini-cilindrada na ex-terra dos enormes V8 de pelo menos 5.0 litros. Além disso, deve-se prestar bastante atenção no Sonic, pois ele pode indicar os caminhos da nova família Ônix que a GM desenvolve para o Brasil.

Da Bahia para o mundo

O clima na apresentação da Ford para os jornalistas (na Joe Louis Arena, um estádio esportivo) foi de vitória no final de campeonato. Entre vários modelos, a Ford mostrou cerca de 10 carros que terão versão hibrida ou elétrica até 2013. Começando com o novo Focus Eletric, também houve a estréia de dois modelos C-MAX, mini-vans para até sete lugares, além do primeiro híbrido elétrico “plug-in” da Ford (PHEV). Em Detroit também aconteceu a primeira exibição global do conceito Ford Vertrek, um utilitário esportivo global.
 Aliás, a Ford deu um show também de globalidade, colocando até um brasileiro no palco da Arena em Detroit. Era um engenheiro da Petrobrás, empresa que comprou o primeiro Fusion Hibrido no Brasil. Além disso, nos bastidores não faltaram elogios a Camaçari, onde o Centro de Design da Ford desenvolve o novo Ecosport, o primeiro projeto baiano que vai ser feito em vários países.

Itália em Detroit

Mesmo sendo a segunda vez que Fiat e Chrysler se apresentam juntas em Detroit, mostrando sua associação, o choque visual entre a cultura italiana e americana continua muito interessante. A maior novidade é o inicio da venda e fabricação do Fiat Cinquecento mexicano nos Estados Unidos.
 Ainda que visualmente o 500 pareça não ter mudado muito, existem centenas de alterações no Fiat Made in México. Além de pequenas novidades visuais, o Cinquecento teve de se adequar aos padrões de crash test americanos, bem diferentes dos europeus. De quebra, o pequeno e charmoso Fiat já ganhou uma linha de acessórios com a assinatura Mopar, a divisão esportiva da Chrysler. Da mesma forma, o novo Chrysler 200C, um compacto médio, também teve sua personalização by Mopar.
 Não teve ser sido fácil para os engenheiros trabalharem em carros de dimensões tão radicalmente diferentes.
E sobram novidades para o Brasil. Assim que a produção mexicana se estabilizar, o Cinquecento exportado para o Brasil deixara de ser o italiano. E o Fiat mexicano terá preços mais atraentes, beneficiado pela isenção de impostos de importação entre México e Brasil. Seu preço deverá cair algo como 15% ou até 20%, mas ainda ficará longe do seu custo nos USA, onde os baixos impostos permitem que seja vendido a partir de U$ 15 mil.
Do lado Chrysler, a novidade ficou para o 200C, um sedan que novamente indica o downsizing de carroceria entre os americanos que, nos tempos de pré crise, gostavam mesmo é do grandalhão 300C.

Germânico Born in USA

Apesar do sotaque alemão dos executivos, a VW mostrou um novo Passat “Born in USA”. Inaugurando uma nova fábrica numa cidade e estado bem americanos, com nomes cheios de letras em dobro (em Chattanooga, no Tennessee), a germânica VW pretende voltar aos velhos e bons tempos, quando o Golf era um best seller. Para isso, a VW adiantou uma nova plataforma que ainda nem saiu na Europa e criou um Passat USA apenas para o mercado americano.
Segundo a empresa, se trata do maior Passat já fabricado, indo em direção contrária aos outros fabricantes, que diminuem o tamanho de seus veículos. No entanto, os alemães acham que este é o caminho certo, tanto que acham que vai triplicar a venda do sedan em poucos anos. De novo, um brasileiro na história: o projeto do Passatão, da equipe de Walter de Silva, também tem a assinatura do design José Carlos Pavone, um paulista que mora em Wolfsburg, na Alemanha.
E as boas vendas do Passat são até possiveis, já que uma das campeãs de vendas nos EUA, a Toyota, se encontra parcialmente nocauteada. Sua imagem de qualidade está seriamente abalada devido ao numero recorde de recalls nos últimos tempos. Este ano, a marca japonesa ficou em terceiro lugar na Terra do Sam, atrás da novamente líder GM e da festiva Ford.


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