O último tijolo de Kanaan

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Durante muitos anos que convivi com pilotos e as pessoas que os orbitam, sempre escutei do Toni a frase:Eu tenho que ganhar as 500 milhas, já fiz tudo que queria no automobilismo, só falta isso. Era mais que um desejo, era uma meta a ser cumprida em um destino que foi duramente traçado desde a infância até os dias de hoje. A ausência do pai dificultou a trajetória mas jamais impediu de atingir seus objetivos, o menino cresceu, venceu e aguardava apenas a cereja do bolo.
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Ela chegou! Foi um fim de semana fantástico, uma corrida pra lá de emocionante, com quase todos os recordes possíveis quebrados, foram mais de 12 líderes, um trilhão de ultrapassagens, grande parte delas entre o Toni e seus adversários que insistiam em ficar na ponta, o público vibrando a cada uma das 200 voltas e finalmente o desfecho esperado pelos brasileiros e pelo baiano que assombrou a América com sua técnica espetacular de pilotagem principalmente nas re-largadas. Fico feliz por ele, fico feliz por ele ser brasileiro, fico feliz por um dos maiores espetáculos que já assisti na minha vida, mas fico triste pelo completo descaso que a televisão brasileira dá a esse esporte. É lamentável que, na maior conquista de um cidadão desse país nos últimos anos, a emissora que é a dona dos direitos de transmissão simplesmente não mostre a festa do vencedor para mostrar um jogo de primeira rodada de campeonato brasileiro. A TV Globo é o que é e sempre será nem sempre por seus méritos, mas pela imensa incapacidade das outras emissoras, ter na mão um feito como esse do Toni Kanaan e simplesmente correr para o futebol é coisa de burro mesmo, e não importa o que digam sobre quem paga mais, a notícia esta acontecendo e não vai acontecer. Isso se chama bom senso, isso se chama Jornalismo. O único que se salvou nesse desastre foi o comentarista da corrida. O Felipe Giaffone é atualmente o melhor da TV aberta, ele ouve o rádio, entende da tática, conhece as malandragens das equipes e ainda consegue resumir tudo isso de uma forma que o narrador não fique vendido, é o que salva a transmissão que nem sempre é uma coisa alegre, muito pelo contrário.
O que também foi triste, porém com uma pitada de nostalgia que salvou a manhã de domingo, foi o GP de Mônaco de Fórmula 1. Sempre será assim se algo não mudar, quem sai na frente no principado ganha a corrida e fica pro pelotão de traz fazer umas poucas ultrapassagens, o resto é por conta da soberba tática dos pneus que gastam demais e tem que trocar, aí as ultrapassagens acontecem nos boxes. Que lindo isso… Corrida chata, sem emoção e com uma transmissão abaixo da crítica, comentar replay meus amigos, até a minha faxineira, quero ver bancar e acontecer, como eram as transmissões anos atrás. Mirem-se no exemplo do colega da Band.
Keke Rosberg
A única coisa mesmo que salvou o fim de semana em Mônaco foi a volta de um Rosberg ao alto do pódio no principado. 30 anos depois do pai Keke, Nico venceu e levou a equipe Mercedes a ser temida para as próximas etapas, apesar dos protestos de um suposto treino secreto. Tudo isso porque os pneus dissolvem mais que sonrisal na mão de nadador e acham que isso vai melhorar as corridas em termos de ultrapassagem. Meu amigo, coloca um pneu que dure, proíba as trocas e manda os caras pra pista, eles que se virem pra ganhar a corrida, até porque ganham muito bem pra isso, quem sabe voltem a aparecer os retardatários, aquelas chicanes ambulantes que muitas vezes decidiam uma corrida.
Vou ficando por aqui com essas duas imagens do Keke e do Nico no passado, uma homenagem ao grande significado da palavra Pai: ouça sempre o seu enquanto ele ainda pode te dizer algo, depois amigo, é por sua conta.

A gente se encontra na semana que vem! 

Beijos & queijos

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