Norma européia impõe mudanças à fabricação de pneus

Desde o dia 1º de Janeiro de 2010, Comissão Européia proíbe definitivamente o uso de extensores/plastificantes na fabricação de compostos de borracha para a indústria de pneus que contenham limites excessivos aos determinados pela Diretiva 2005/69/EC. Embora a restrição à utilização do DAE não tenha sido imposta ao mercado brasileiro, fabricantes devem acelerar conversão ao longo dos próximos anos.

O polêmico extrato aromático destilado (DAE) está definitivamente banido dos processos produtivos que envolvem a fabricação de pneus, pelo menos nos países da Europa, por decisão da Comissão Européia.

Foi uma longa batalha que durou 16 anos e, desde o dia 1º de Janeiro de 2010, uma nova e conclusiva Diretiva – 2005/69/EC – foi publicada proibindo a utilização de extensores/plastificantes na fabricação de compostos de borracha para a indústria de pneus que contenham limites excessivos aos determinados pela Diretiva. Para quantificar, é suficiente dizer que o DAE contém 80 vezes mais hidrocarbonetos poliaromáticos (HPAs) que o limite máximo estabelecido por esta Diretiva da União Européia.

A história é longa e tem início em 1994, quando foi publicado pela Agência de Químicos da Suécia o relatório “Novos caminhos – Um estudo de produtos para pneus”, demonstrando o impacto negativo sobre seres vivos e ao ambiente em geral, causado pelo DAE, devido ao alto conteúdo de HPAs. “Os HPAs – como o Criseno, o Benzopireno e o Benzoantraceno – são substâncias comprovadamente causadoras de diversos tipos de câncer, são mutagênicas e influem negativamente na reprodução dos seres vivos”, destaca Gutenberg Souza Oliveira, executivo da Nynas do Brasil.

No mercado nacional, o Ministério da Saúde e a ANVISA são os órgãos responsáveis por tal regulamentação, mas não se tem conhecimento de qualquer ação similar. “Por possuir um importante parque fabril automobilístico, no Brasil existem não apenas plantas das principais fabricantes mundiais de pneus, mas também da maior fabricante mundial dos polímeros sintéticos usados para a fabricação do pneu”, lembra Oliveira. Como todas servem também como plataformas de exportação, essas companhias se vêem obrigadas à conversão gradativa, mas ainda parcial, para a fabricação dos pneus ambientalmente corretos. “Esta conversão deve ser acelerada ao longo dos próximos anos, já que não há uma restrição imposta para utilização do DAE no mercado brasileiro”, reforça o executivo.

A Diretiva Européia proíbe a utilização do DAE nos pneus destinados à utilização em automóveis de passageiros, caminhões leves e pesados, na agricultura e em motocicletas. Desta forma, todas as empresas locais que exportem tais produtos ao mercado europeu estão sendo diretamente afetadas por tal restrição.


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