O único carro que aceita quatro combustíveis é brasileiro

O único carro do mundo que aceita funcionar quatro combustíveis: gasolina brasileira com teoricamente 20 % de álcool, gasolina pura, álcool e GNV. Este ultimo armazenado em bujões acomodados no porta-malas. Durante duas semanas avaliamos o Fiat Siena Tetrafuel que é produzido na unidade fabril da marca em Betim, Minas Gerais e exportado para diversos paises.

Como a nossa avaliação foi feita no Brasil, foi muito fácil abastecer com os três combustíveis à venda no Brasil: álcool, gasolina “batizada” e GNV. Em todas as situações os Siena Tetrafuel enfrentou com muita competência tudo o que lhe era oferecido para “beber”. Mas, e gasolina pura? Poucas pessoas sabem, mas os carros produzidos no Brasil, podem ter sérios problemas quando rodam com combustíveis de outros paises, quando não devidamente calibrados para esse fim, como por exemplo, o combustível argentino. É possível até danificar irremediavelmente o motor. Mas, e gasolina pura? Como testar?

Optamos por uma solução caseira, que consideramos interessante, apesar de não ser a mais ideal e não , mas que se aproximou mais da realidade. Pegamos gasolina de boa qualidade num posto de confiança e adicionamos de água. Quando a gasolina tem contato com a água, separa o que existe de álcool e das três parte formadas no nosso reservatório, aproveitamos apenas o que sobrou de gasolina. E partimos para mais uma avaliação.

Rodando

Com motor de 1,4 litro, o Siena Tetrafuel produz potências diferenciadas para cada um dos combustíveis utilizados; quando abastecido com álcool, o modelo despeja para o motorista 81 cv de potencia máxima, enquanto com gasolina brasileira e a pura 80 cv e com GNV 68cv. A possibilidade de andar com tantos combustíveis só é uma realidade, graças à injeção eletrônica multiponto desenvolvida pela Magneti Marelli e outras peças que recebem um tratamento especial da FPT- Fiat Power Train. Andando com álcool, gasolina brasileira e a pura, o modelo não deixa a desejar, mesmo sendo 1,4 litro.

O carro tem bom desempenho acelerando de 0 a 100 km/h em média de 15, 2 segundos e com GNV em 17,0 segundos. A velocidade máxima é de 165 km/h com os três combustíveis líquidos e de 153 km/h com GNV. Com o GNV, é sensível a queda de rendimento, tanto na velocidade como nas acelerações. Saindo de um semáforo, fica clara a queda de potência, exigindo mais “vontade” do pé da direita e mais paciência para ganhar a velocidade desejada. Mas a maior incógnita era mesmo para a gasolina pura.

Mas, a expectativa que tivesse alguma diferença, logo nos primeiras impressões já foram por “água” abaixo. Na média estrada/cidade o Siena fez 14,5 km/l com gasolina com 20% de álcool, 15,4 km/l com gasolina pura e 10,4 km/l com álcool. Já com GNV, que a medição é diferente, o Siena Tetrafuel consumiu 17,6 km/m3.

Para o mercado brasileiro, o GNV é o mais interessante, seguido de perto pelo alccol e mais distante gasolina. Porém, se levando em conta o preço do Siena Tetrafuel, que é de R$46.920,00, e do Siena 1,4 Flex, que custa R$ 39.010,00, a diferença é de R$7.910,00, o proprietário tem que andar bastante para compensar o maior investimento. Ou viajar muito para os paises vizinhos. Vale a pena fazer bem as contas. Para os taxistas e frotistas, com toda a certeza é um excelente negócio, ainda mais que, além das opções de combustíveis, aproveitar os melhores preços, ainda tem a possibilidade de andar com o GNV de maneira segura e sem “gambiaras”.

Ou melhor, instalado de maneira seria e correta. Mas que é um excelente produto e muito democrático, pois permite como nenhum outro, que a vontade do consumidor seja respeitada, ao poder optar pelo combustível mais barato e apropriado.

Harmonia

O Fiat Siena ganhou linhas novas em 2006, onde ganhou um design mais elegante e agradável. De todas as gerações do Fiat Siena, sem duvida esta é a mais atraente e bonita. A idéia é que o carro ficou maior, mas na verdade é exatamente igual aos demais irmãos mais velhos. Seguindo a tendência adota em toda a família Palio, a frente ficou mais afilada mas diferentemente dos demais membros da linha, o Siena ganhou vários detalhes cromados, com a finalidade de lhe dar mais requinte.

A traseira continua tendo a tendência mais alta e se destacam as belas lanternas, inspiradas nos modelos da Alfa Romeo. Esta parte, sempre foi o maior drama dos projetistas de qualquer marca. Conseguir de maneira harmoniosa casar o porta malas num hatch pequeno, transformando-o num sedan, sem parecer que foi colocado um caixote na bunda do veiculo. Por dentro, o Siena tem um bom nível de conforto, com acabamento cuidadoso e materiais de boa qualidade. Está certo que avaliamos a versão top de gama.

Mas há harmonia e uma boa ergonomia. Os bancos são confortáveis, revestidos em tecido, mas que esquentam demais nos dias mais acalorados. Na parte traseira dos encostos dos bancos dianteiros, duas bolsas porta-revistas muito úteis e interessantes. O banco traseiro agora traz três apoios de cabeça reguláveis em altura, como manda a lei, mas a maneira mais confortável de acomodar gente atrás é com no máximo duas pessoas. Três adultos no banco traseiro só em distâncias muito pequenas.

O painel de instrumentos fundo preto traz velocímetro na porção central, com conta-giros à esquerda e marcador gradual da temperatura da água à direita. Mais um display onde são exibidas informações do trip computer, trip B, temperatura externa, My Car Fiat, do rádio, de portas abertas e mensagens de advertência, além de um relógio digital. A versão testada, a Tetrafuel tem acrescido apenas da indicação do nível de GNV nos cilindros.

Em termos de tecnologia embarcada, o Fiat Siena surpreende, se igualando a carros muito mais sofisticados e maiores.


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